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Moradores vivem inferno com encontros de motards em Santo Tirso

Moradores vivem inferno com encontros de motards em Santo Tirso

Os primeiros roncos de motores soam entre as 20.30 e as 21 horas, mas é a partir das 22 que mais se adensa a concentração de motards. Até ao romper da madrugada enchem o Largo Coronel Baptista Coelho e arredores - passeios incluídos - de motos e curiosos e indignam algumas das pessoas que habitam em pleno coração de Santo Tirso. Já foram enviadas denúncias à Polícia, que ontem apreendeu 24 motos no local.

"Normalmente, são entre 500 a 1000 motos", estima Rogério Almeida, dono do Café Del Rock, naquele largo, e que há dois anos lançou a iniciativa "Quinta a fundo" para, "à quinta-feira, virem de moto ao café beber um café ou uma cerveja". "É um evento que faço no meu café, em que convido as pessoas a vir a Santo Tirso de moto", concretiza o gerente do Del Rock, admitindo, contudo, que "o evento tomou proporções que ninguém esperava".

"É a rua completamente cheia de motos e o passeio cheiinho delas. As pessoas ficam impedidas de passar no passeio [junto ao jardim]", descreve Luísa Hargreaves, cujo pai, de 95 anos, habita no epicentro do "Quinta a fundo". "Eles aceleram, aceleram muito, e já tivemos de colocar ar condicionado em casa porque, abrindo as janelas nas noites de calor, é só gases das motos e o barulho delas a acelerar", relata a moradora numa rua adjacente, de onde ouve o "inferno à quinta-feira".

Barulheira infernal

Leonilde Costa, funcionária na casa do pai de Luísa, fala numa "barulheira infernal". "Temos aqui pessoas a viver, e é complicado", observa a empregada, que contabiliza "seis casas habitadas" no Largo. "As pessoas estão a sair por causa dos eventos de música e dos motards", lamentaria Luísa Hargreaves. Leonilde é descritiva: "Parece uma feira. E deixam garrafas espalhadas, vê-se gente a vomitar. Às vezes, abro a porta e eles caem para dentro, porque ficam amontoados na soleira".

Anteontem à noite, e face à presença da PSP ao fundo do Largo, não houve demasiados roncos, nem motos estacionadas em cima do passeio do lado do jardim, apenas um aglomerado de populares a ver passar o desfile de motards. Mas no topo, onde começa a Rua Sousa Trepa, já se tropeçava em filas de duas rodas aparcadas nos passeios. Junto à Caixa Geral de Depósitos, por exemplo, estavam alinhadas no interior do passeio e na zona exterior, com um corredor pelo meio.

Uma noite de S. João

O cenário repetia-se na Rua Dr. António Augusto Pires de Lima, como numa noitada de S. João. Há um grupo de cinco motociclistas que pára em cima de uma passadeira dessa rua. Conversam brevemente e decidem subir o passeio com as motos, algumas a passar a centímetros dos peões. Do outro lado, um motard segue de moto em pleno passeio, pelo meio dos peões. Outro cruza a rua sem capacete. Outro ainda haveria de serpentear entre peões, de novo no passeio onde circulavam idosos, crianças e carrinhos de bebé...

Rogério Almeida sublinha que "o Café Del Rock não tem culpa que as pessoas não cumpram as regras de trânsito" e afirma que "o ruído é falta de civismo de alguns motociclistas".

PSP fez fiscalização, Câmara garante estar atenta

Moradores que denunciaram o caso à PSP apontam "ilegalidades" no Largo. Henrique Cabeleira fala ainda na presença "atípica" da PSP, anteontem, e Daniel Azevedo diz que a Polícia "não responde aos pedidos de intervenção". O Comando do Porto esclareceu ao JN que "a PSP desloca-se aos locais e toma conta das ocorrências sempre que é solicitada" e indicou ter feito, anteontem à noite, na cidade, uma operação de fiscalização a motociclistas.

"Estamos atentos, a vigiar e a assumir as nossas responsabilidades", afirmou o presidente da Autarquia, Joaquim Couto, referindo que "a Câmara não tem registos de queixas".

Motociclos apreendidos

Entre as 20 e as 24 horas de quinta-feira, a PSP fez, em Santo Tirso, uma "fiscalização de 50 condutores e respetivos motociclos e ciclomotores". Destes, foram apreendidos 24 "por alteração de características". Registaram-se seis infrações ao Código da Estrada.

Mil motos no aniversário

No passado dia 2, segundo aniversário do "Quinta a fundo", terão estado duas mil motos e três mil pessoas no evento, estima Rogério Almeida. A primeira edição, em 2016, contou com "20 motos".

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