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7 Maravilhas da Cultura Popular

Câmara fez "batota" e gastou 75 mil euros em telefonemas para ganhar concurso

Câmara fez "batota" e gastou 75 mil euros em telefonemas para ganhar concurso

Para eleger os santeiros de S. Mamede do Coronado no concurso "7 Maravilhas de Portugal", transmitido pela RTP e com final no início de setembro, a Câmara da Trofa não se limitou a apelar ao voto de todos, e efetuou inúmeras chamadas telefónicas de valor acrescentado para votar na candidatura de que era promotora, efetuando uma despesa de perto de 75 mil euros em telefonemas.

A "aquisição de serviços para reforço da votação e promoção dos santeiros de S. Mamede do Coronado, candidatos às 7 Maravilhas da Cultura Popular" à empresa de telecomunicações Meo foi publicada no portal dos contratos públicos Base a 21 de setembro, e está a gerar indignação.

Os santeiros ganharam o concurso, mas o resultado está a ser posto em causa, por haver quem o considere "viciado" e fruto de "batota". Essa é, de resto, a leitura do Bloco de Esquerda e do Partido Socialista da Trofa, que repudiam o procedimento.

"Estamos a viver uma pandemia, com pessoas em dificuldades, e esta é uma despesa que numa situação normal já seria supérflua", considera o coordenador do BE Trofa. Gualter Costa sublinha que, "não sendo ilegal, é completamente imoral e escandaloso a Câmara comprar um serviço para fazer uma votação. Não tem pés nem cabeça, e é uma batota. Em vez de promovermos uma Maravilha eleita pelo povo, estamos a promover uma Maravilha da Câmara que pagou mais chamadas".

"Estávamos longe de sonhar que esse resultado tinha sido viciado e tinha custado pelo menos 75 mil euros aos trofenses", vincou Amadeu Dias, que lidera a concelhia do PS e está "envergonhado" e "incrédulo" com o procedimento da Câmara.

"O vasto património cultural e a história da arte dos santeiros de S. Mamede do Coronado são suficientemente bons para vencer qualquer concurso. Não mereciam que a sua vitória no concurso das 7 Maravilhas da Cultura Popular Portuguesa ficasse intrinsecamente ligada a um ajuste direto da Câmara Municipal da Trofa para o garantir", afirmam os socialistas no comunicado.

O tema foi aflorado na Assembleia Municipal do passado dia 30, durante a qual o presidente da Autarquia afirmou que o resultado do concurso "foi uma grande vitória". "Entramos nisto para ganhar. A Câmara gastou dinheiro com telefonemas? Gastou, sim senhora", admitiu Sérgio Humberto.

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O JN questionou a Câmara da Trofa, mas não obteve resposta.

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