Manifestação

Padre uniu-se à revolta: "Não queiram fazer de Covelas a cagadeira da Trofa"

Padre uniu-se à revolta: "Não queiram fazer de Covelas a cagadeira da Trofa"

Cerca de 200 pessoas participaram na tarde deste sábado num protesto contra a instalação de um aterro sanitário em Covelas, na Trofa. O pároco da freguesia juntou-se à revolta e foi duro nas críticas: "Não queiram fazer de Covelas a cagadeira da Trofa"

Entre vuvuzelas e buzinas, aplausos e apupos, tarjas negras e vários discursos, a manifestação que juntou, com o distanciamento imposto pela pandemia, cerca de 200 pessoas contra o aterro em Covelas contou com povo, deputados da Assembleia da República, eleitos locais, gente da esquerda à direita - incluindo dois vereadores "laranja" do Executivo municipal, que negociou com a Resinorte a instalação do depósito de lixo - e, até, com o pároco da freguesia, que não poupou palavras.

"Tinha de estar aqui, neste momento de raiva e revolta, e o apelo que faço aos autarcas é este: não queiram fazer de Covelas a cagadeira da Trofa", afirmou o padre José Ramos, que faz "parte do povo de Covelas". Saiu da freguesia no camião que conduziu os cerca de 50 carros, num desfile ao som de buzinas, até ao parque Senhora das Dores, no centro da Trofa, onde se protestou contra o aterro que já colheu, inclusive, a reprovação das concelhias do PSD e CDS, os partidos da coligação que lidera a Câmara - cujo Executivo, assumiu, ontem, oposição ao projeto que antes acolhera.

"Estou aqui, na linha da frente, para dizer aos senhores autarcas que foi uma vergonha o que aconteceu. Sentimo-nos vendidos, como Jesus, por 30 moedas de prata", disse o pároco, aludindo ao facto de o presidente da Câmara, Sérgio Humberto - que não esteve no protesto -, ter negociado com a Resinorte a dívida do Município da recolha de resíduos.

Com assobios e vaias aos elementos do PSD que discursaram, Rosalina Martins não calava a "revolta". "O nosso presidente não sabia [do aterro], e há dois anos que a Câmara anda a negociar isto!", indignava-se a covelense, tal como Diana Oliveira, para quem "um aterro não vai ser bom, por causa dos cheiros e dos camiões a passar com lixo". "Vamos lutar até ao fim", prometia Andrea Costa, enquanto a amiga, Noelle Rodrigues, lembrava que "ainda se sente cheiros, ao passar pelo aterro", já encerrado, de Santo Tirso, ao lado de Covelas.

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