Educação

Pais e alunos protestam contra a falta de professores em Sesimbra 

Pais e alunos protestam contra a falta de professores em Sesimbra 

Pais, alunos e docentes de escolas de Sesimbra manifestaram-se esta manhã de terça feira pela falta de professores nas escolas do concelho. O protesto decorreu na Escola Michel Giacometti entre as 7.30 e as 9 horas e juntou cerca de 70 pessoas.

As áreas de ensino mais afetadas no concelho são matemática, português e inglês, nas quais há turmas sem professores desde o início do ano letivo. "Sempre houve falta de professores, mas as vagas vinham sendo preenchidas. Este ano, o problema acentuou-se e chegamos ao fim do ano letivo sem que haja uma única aula nestas disciplinas em várias escolas", lamenta Felícia Costa, vereadora da Educação na autarquia.

Os alunos sem estas aulas vão passar de ano administrativamente, mas sem capacidade para aprender a matéria do ano seguinte, "se é que vão ter aulas no ano seguinte", diz Vasco Aniceto, representante da Associação de Pais desta escola. "Os pais não têm capacidade para recorrer a explicações ou para ensinar disciplinas como inglês aos filhos em casa e, no futuro, estes jovens vão ingressar no mercado de trabalho cada vez mais internacional sem saber falar inglês, o que é imprescindível", conta.

Na escola Michel Giacometti foi colocada uma professora de inglês no início do ano letivo, proveniente da Madeira, mas acabou por sair devido às rendas altas que encontrou no mercado de arrendamento, associado aos baixos salários da carreira, aponta como exemplo Vasco Aniceto. "Vemos que em toda a Área Metropolitana de Lisboa há falta de professores no ensino público, mas não no ensino privado, o que mostra a pouca capacidade de atratividade de docentes pelo Governo".

Os pais vão agora reunir 7500 assinaturas para levar o assunto da falta de professores a ser discutido na Assembleia da República. Querem também ser recebidos por grupos parlamentares.

A autarca Felícia Costa critica a administração central por não apostar na valorização da carreira docente, o que faz com que não haja interesse em lecionar. "Uma professora de Matemática na escola de Santana faleceu e não houve quem a substituísse. A curto prazo, há soluções de secretaria que podem trazer mais professores, como a acumulação de horários, mas o problema é estrutural e urgente", prossegue a autarca. "Este problema não acontece só em Sesimbra, mas em toda a Área Metropolitana de Lisboa e no Algarve", conclui.

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