
Minho Digital
A Câmara de Valença está a avaliar a legalidade de um depósito de pás de aerogeradores eólicos em fim de vida, na zona industrial do município.
Segundo o presidente da Autarquia, José Manuel Carpinteira (PS), a sucata pertence a uma empresa de reciclagem, que tem licenciada para o mesmo local a instalação de uma unidade de processamento dos resíduos. A firma ainda não iniciou a obra, mas continua a acumular grandes quantidades de material na zona, gerando polémica na localidade, avançou o jornal "Minho Digital".
"Entregamos o caso ao nosso consultor jurídico. Essa empresa comprou um terreno em 2020 e deu entrada com projeto na Câmara em 2021, no mandato anterior (PSD), que tem algumas condicionantes, nomeadamente terem que avançar com a obra do edifício para a unidade de reciclagem até setembro deste ano. Só que ainda não iniciaram a obra e o mais complicado é que estão a fazer ali um depósito de material. Cada vez está a acumular mais", explica José Manuel Carpinteira, considerando que "primeiro deviam ter feito a obra da unidade de recuperação do material e depois iniciado o transporte".
"Começaram a casa pelo telhado e o que queremos perceber agora é se aquele depósito é ilegal", disse o autarca, adiantando que a própria Câmara foi "apanhada de surpresa" com o volume do depósito de sucata, no terreno situado na zona empresarial da União de Freguesias de Gandra e Taião. "Provavelmente. o depósito é ilegal e teremos de comunicar ao proprietário para retirar, mas não sabemos ainda", admitiu.
Em causa está um projeto da empresa Ventos Metódicos, com sede em Monção, que aposta na reciclagem de pás de aerogeradores, quando estas concluem o seu ciclo de vida útil no setor eólico.
A atividade da firma passa por extrair componentes e estruturas, e proceder ao seu corte, "sem gerar desperdício e impacto nocivo para o ambiente", transportando depois as peças para a linha de processamento, a fim de dar "uma segunda vida" às pás, que pode passar pela conceção de mobiliário, candeeiros e vasos, para espaços interiores e exteriores.
O "Jornal de Notícias" está a tentar contactar a empresa, mas até agora sem êxito.

