Combustíveis

Portugueses enchem o depósito em Tui: "Isto é só escandaloso"

Portugueses enchem o depósito em Tui: "Isto é só escandaloso"

Pedro Coelho, arquiteto do Porto, atravessou esta segunda-feira a fronteira de Valença para atestar o depósito em Tui, na Galiza, com um sentimento de indignação que verbaliza sem hesitar. "Isto é só escandaloso", atira.

Do último posto em território português, junto à velha ponte metálica sobre o rio Minho em Valença, e o primeiro espanhol, situado dali a 800 metros em Tui, os preços caem mais de 0.20 cêntimos por litro.

Do outro lado da fronteira, a bomba emprega um total de 25 funcionários, "sete a oito por turno" em grande azáfama, o diesel normal estava esta segunda-feira a 1, 399 euros/litro e a gasolina 95 a 1,529. Enquanto isso, no posto de que é concessionário Domingos Tristão, há 40 anos, e que apenas tem como companhia uma gata, o diesel estava a 1.60 euros/litro e a gasolina normal a 1,754 euros/litro.

Mas se nos adentrarmos na cidade galega a diferença de preços cai ainda mais: um novo posto que entrou em funcionamento há dias, junto à zona comercial (hipermercados e outlet), tinha afixados os preços do diesel a 1,259/litro e a gasolina a 1,379. E, em breve, um novo, ainda em construção, abrirá. A cidade de Tui ficará com cinco bombas.

"Alguma coisa se passa com os preços dos combustíveis e tem a ver com a nossa governação. É inexplicável", comentou ao Jornal de Notícias o arquiteto portuense, referindo que, no gasóleo, está "a poupar à volta de 100 euros por mês".

"Tenho uma obra em Monção e venho para estes lados todas as semanas. Tenho o privilégio de todas as semanas encher o depósito da minha viatura e ainda levar um jerrican para abastecer parcialmente a viatura da minha esposa", contou.

O corrupio no posto de Tui é constante. Assim como a chegada de viaturas com matricula portuguesa, algumas com jerricans guardados na mala para encher.

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Também há pesados de mercadorias portugueses. Cândido Resende, motorista de transporte internacional contou que a empresa do Alto Minho para a qual trabalha "há muitos anos abastece em Espanha". "Têm acordos e compensa muito. Eu nem sei a como está o combustível em Portugal. Se o nosso Governo não faz coisa melhor o que é que vamos fazer?", refere enquanto abastece, no posto de Tui, "cerca de 600 euros" no percurso entre Santiago de Compostela e Lisboa.

Damião Porto, professor de Caminha, aproveita a viagem de Monção, onde trabalha, para casa, para fazer um pequeno desvio e abastecer. "Justifica e já é hábito vir a Espanha. Poupa-se bastante dinheiro", diz.

Domingos Tristão, de 65 anos, do posto da Galp junto à ponte, vê a maioria dos carros de matricula portuguesa passar à sua porta rumo a Tui. Sobrevive dos clientes habituais e que "preferem" o combustível da marca, e dos cartões frota. Lembra, contudo, outros tempos em que as filas para o combustível aconteciam do lado de cá.

"Na altura da guerra do Kuwait, era o António Guterres primeiro-ministro, o preço do barril do petróleo subiu para 140 e tal dólares e o governo português foi o único da Europa que resolveu não mexer nos preços dos combustíveis. Aconteceu o inverso do que se passa agora", recorda, concluindo: "Tivemos dois anos de filas enormes, A partir daí nunca mais. Os governos que vieram a seguir foi sempre a cascar a direito [nos preços]".

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