Barragem

Ribeira de Pena admite tomar medidas se Iberdrola falhar em realojar população

Ribeira de Pena admite tomar medidas se Iberdrola falhar em realojar população

O presidente da câmara de Ribeira de Pena, João Noronha, disse esta terça-feira que admite tomar medidas caso a Iberdrola não resolva "com dignidade e atempadamente" o realojamento das pessoas do concelho afetadas pela barragem do Alto Tâmega.

"A Iberdrola não precisa da câmara para nada e temos alguma dificuldade em controlar o que eles fazem ou deixam de fazer, mas temos ao nosso alcance, se for necessário, medidas que podem dificultar os próprios trabalhos deles", destacou à Lusa o autarca do município do distrito de Vila Real.

Para João Noronha, todo o processo de realojamento da população afetada pela construção da barragem do Alto Tâmega deveria ser "mais claro" e refere que tem faltado "sensibilidade para com as pessoas de Ribeira de Pena".

"A verdade é que as pessoas têm sido maltratadas, não estão a ser respeitadas nos seus direitos e o município não pode deixar passar o problema ao lado", atirou.

Segundo dados da autarquia de Ribeira de Pena, dos 49 casos de famílias que terão de ser realojadas no concelho seis encontram-se resolvidos, 19 estão em tribunal e 24 em negociação.

Considerando que está a haver "um empurrar do problema com a barriga", o autarca alerta que a resolução pode não ser pacífica.

"Segundo a Iberdrola, vão começar a encher a barragem de Daivões a partir de junho ou julho de 2020 e as pessoas vão ficar afogadas? Não sei como se atrevem a tirar as pessoas dali para fora e tenho dúvidas que possa acontecer", atirou.

Perante a necessidade de realojar famílias, a autarquia colocou à disposição da Iberdrola, sem custos, um terreno no "coração da vila" com capacidade para um loteamento de 24 casas.

A condição do município transmontano é que a empresa elétrica espanhola pague as infraestruturas e o diferencial que falte às famílias para a construção das casas.

O autarca socialista explicou ainda que a Iberdrola tem, na concessão que recebeu do Estado, verbas para precaver este tipo de situações.

À Lusa, a empresa espanhola explicou em comunicado que "mostrou-se sempre disponível para financiar aqueles lotes destinados às famílias afetadas".

Ainda sobre as indemnizações, o presidente da câmara João Noronha manifesta-se contra à atribuição de valores diferentes a habitantes no concelho e a emigrantes, pois recusa que haja "ribeirapenenses de primeira e de segunda".

Para dia 18 de novembro está agendada em Ribeira de Pena nova reunião entre o município, a Iberdrola, a Agência Portuguesa do Ambiente e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte e o autarca espera respostas.

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