Atrizes apoiam trabalhadora despedida de corticeira: "És um exemplo de dignidade"
Mais de 10 atrizes gravaram mensagens de apoio a Cristina Tavares, a trabalhadora que foi despedida de uma corticeira de Santa Maria da Feira.
Cristina Tavares voltou a receber uma manifestação de solidariedade.
"É preciso lutar como tu tens feito". "És um exemplo de dignidade para todos nós" e, "estamos todos juntos nesta luta a torcer por ti", ouviu-se.
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Entre as atrizes contam-se Ana Saragoça, Ana Sofia Martins, Mariana Monteiro, Joana Manuel, Sandra Valério, Diana Costa e Silva, Diana Nicolau, Joana Santos, Daniela Melchior, Sofia Grilo, Joana Seixas, Madalena Almeida, Márcia Leal e Sílvia Rizzo.
Também a atriz Marina Albuquerque participou na sessão pública promovida pelo Sindicato dos Operários Corticeiros, a propósito de Dia Internacional da Mulher e deixou o seu apoio à trabalhadora.
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A corticeira Fernando Couto-Cortiças, de Paços de Brandão, Santa Maria da Feira, que despediu Cristina Tavares após as denúncias de práticas de assédio moral, foi alvo de mais um auto de contraordenação por parte da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT). Várias atrizes nacionais gravaram mensagens de vídeo solidarizando-se com a luta da trabalhadora pela reintegração no local de trabalho.
"A inspetora geral das Condições do Trabalho foi ouvida no passado dia 6 na Assembleia de República e confirmou que, para além dois processos já conhecidos, ainda há mais três a decorrer na fase administrativa", confirmou o advogado do Sindicato dos Operários Corticeiros do Norte, Filipe Soares Pereira.
O causídico adiantou que o último processo de que foi alvo a corticeira "ocorreu já depois do segundo despedimento da Cristina".
Filipe Soares Pereira considera, por isso, que este último auto está relacionado com o despedimento, que foi justificado pela empresa com um crime de difamação por parte da trabalhadora.
"A ACT considerou o despedimento abusivo e entende que a Cristina Tavares denunciou as ilegalidades que estavam a ser cometidas", concluiu.
"Nunca vimos uma empresa ou situação como esta em que alguém se quer mostrar acima da lei", disse, a propósito, Alírio Martins, o coordenador do Sindicato.
Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP, diz acreditar "no futuro e na justiça". "Será feita justiça para com a Cristina, porque há provas irrefutáveis apresentadas pela ACT".
"Esta situação deixou de ser um caso isolado para passar a ser um problema de todos nós", ressalvou.
Para o próximo dia 28 está marcada a sessão no tribunal da Feira relativa à contestação da empresa face à multa de 31 mil euros aplicada pela ACT. Um dia depois, também no tribunal, realiza-se a audiência das partes relativa ao segundo despedimento da trabalhadora.
Antes, no dia 23, o movimento sindical marcou mais uma manifestação e concentração para o Arraial de Paços de Brandão.
A empresa Fernando Couto-Cortiças tem vindo a público criticar os autos de que tem sido alvo por parte da ACT.
"Entendemos a posição da ACT como resultante da pressão e sindical que tem vindo a ser desenvolvida sobretudo nos media e que tudo indica se faz sentir também por via hierárquica administrativa, parecendo que também a própria ACT se quer substituir ao tribunal ou pelo menos contribuir para a formação de um pré-juízo", sublinhou a corticeira, em nota emitida anteriormente.
