
Casos como a Venezuela e Irão mostram a importância da conectividade
Foto: Juan Barreto / AFP
Ataques híbridos, bloqueios de Internet e desinformação expõem a vulnerabilidade das redes. Relatório alerta que a conectividade segura deve ser considerada um pilar estratégico da defesa europeia.
O relatório da Vodafone "Conectividade segura: o novo pilar estratégico da defesa europeia", divulgado esta sexta-feira,, sublinha que a conectividade digital é hoje fundamental para a defesa e resiliência da Europa. Serviços essenciais - hospitais, redes de energia, transportes, cadeias logísticas e sistemas militares - dependem de infraestruturas digitais robustas.
"Se a Europa continuar a tratar a conectividade como um serviço básico e de baixo custo, estará a expor cidadãos, instituições democráticas e aliados a riscos crescentes", alerta Joakim Reiter, diretor de Relações Externas da Vodafone.
O documento aponta que, sem investimentos consistentes, a fragmentação do setor e a coordenação "ad hoc" em situações de crise tornam o continente vulnerável a ataques híbridos. Entre os estados-membros da União Europeia, Irlanda, Malta e Chipre dependem exclusivamente de cabos submarinos para a sua ligação internacional, revelando uma fragilidade estrutural capaz de afetar economias e serviços vitais. A redundância, a rápida reparação e a proteção de estações de amarração tornam-se, assim, imprescindíveis.
A linha de defesa
Integrar a conectividade segura nas estratégias nacionais e europeias de segurança é uma das recomendações centrais do relatório. A Vodafone destaca que mecanismos permanentes de colaboração entre governos e operadores, investimentos em redes redundantes, parcerias tecnológicas com aliados de confiança e literacia digital são determinantes para reforçar a proteção do continente.
A guerra na Ucrânia exemplifica a importância das comunicações modernas na defesa. Redes móveis, fixas, por cabo submarino e satélite permitiram à Ucrânia criar rotas alternativas, restaurando rapidamente a conectividade e mantendo canais de comando militar e de distribuição de informação verificada. A reconfiguração rápida das redes, o uso de energia solar em estações-base e o diálogo constante entre Governo e operadores privados demonstraram que inovação e coordenação sustentam a resiliência em cenários de conflito.
Casos recentes no Irão e na Venezuela confirmam esta realidade. No Irão, o corte de Internet durante protestos limitou a circulação de informação, enquanto terminais Starlink permitiram aos cidadãos manter contacto com o exterior, mesmo correndo o risco de sanções severas ou acusações de espionagem. Na Venezuela, a rede social X (antigo Twitter) voltou a estar acessível após mais de um ano de bloqueio, mostrando como a conectividade molda política e perceção pública.
A Vodafone alerta que a segurança digital não pode depender apenas dos operadores. Fragmentação do setor, falta de investimento e ausência de mecanismos de cooperação europeus podem enfraquecer a capacidade de resposta a ameaças emergentes e limitar a inovação necessária para redes de dupla utilização.
Nesse sentido, a operadora recomenda coordenação pan-europeia com aliados de confiança, como Reino Unido, Japão e Coreia do Sul, reforço da soberania digital e literacia tecnológica para capacitar os cidadãos a resistir à desinformação.
O estudo conclui que a conectividade deixou de ser um mero serviço. Tornou-se um pilar estratégico de defesa, essencial para proteger cidadãos, economias e democracias num Mundo onde a informação é, cada vez mais, um campo de batalha global.

