
Samie Santa, influenciadora espanhola, foi expulsa do Dubai no âmbito do reforço das leis sobre conteúdos para adultos
Foto: Direitos reservados
Leis rígidas sobre moral e costumes atingem influencers. Caso de espanhola expulsa do Dubai não é único, mas há quem recorra a rede privada virtual para fintar restrições.
O reforço das leis sobre moral pública e costumes nos Emirados Árabes Unidos está a afetar influenciadores ligados a conteúdos para adultos. A atuação das autoridades tornou-se mais rápida e rigorosa, com decisões que, em alguns casos, resultam na saída imediata do país.
Uma dessas situações foi tornada pública por Samie Santa, que afirmou ter sido expulsa do Dubai de forma repentina, após cerca de dez anos de residência. Sem aviso prévio, a espanhola viu-se obrigada a abandonar a casa, a rotina e os bens acumulados ao longo de uma década.
Num testemunho nas redes sociais, a influencer descreveu a experiência como uma rutura abrupta com a vida que tinha construído. "É um direito humano poder recolher uma década de vida", afirmou, sublinhando a impossibilidade de organizar a saída ou tratar dos seus assuntos pessoais.
Controlo reforçado
Segundo o relato, a medida estará relacionada com a ligação de Samie Santa a plataformas conhecidas pela divulgação de conteúdos para adultos, referidas como "página azul". A influencer garante nunca ter sido notificada de qualquer infração nem chamada a prestar esclarecimentos antes da decisão. Entre as consequências mais dolorosas, revelou ter de se separar dos quatro cães que mantinha no país, que não conseguiu recuperar antes de deixar o território.
Apesar de alguns criadores recorrerem a VPNs ou servidores fora do país para contornar restrições, especialistas alertam que tais medidas não eliminam o risco legal. Quem reside nos Emirados Árabes Unidos continua sujeito à legislação local e pode enfrentar multas, processos ou deportação.
Samie assegura que não se trata de um caso isolado e refere que outras mulheres ligadas ao mesmo tipo de atividade estão a enfrentar medidas semelhantes, levantando questões sobre a previsibilidade das decisões migratórias e o impacto humano destas ações.

