Ao primeiro "casting" que fez para uma novela, ficou. Tratava-se de "Fala-me de Amor", da TVI. Usou a moda como trampolim para a representação, mas não se serve de bengalas para se valer profissionalmente.
Aos 24 anos, do seu currículo consta um curso de piercings. Pedro Barroso, o "Nuno" de "Sedução", também da estação de Queluz, refere que tudo na sua vida foi "acontecendo de acordo com um efeito bola de neve no sentido positivo".
Em pequeno tinha na calha ser actor?
Tinha carinho pela profissão. Quase todos nós fizemos teatro na escola. Não era aquilo que queria seguir, embora já fosse entusiasta de artes, como a fotografia. Fui sempre saltimbanco.
A fotografia é uma paixão só por trás da objectiva?
Certo. Não gosto de posar. É uma verdade contida e eu gosto de expressar emoções. Perde veracidade. Prefiro o lado de cá da câmara.
Quando surgiu o clique para querer apostar na representação?
No meu segundo projecto. Já tinha experiência, foi algo mais consciente. Foi o "Pica", uma série da RTP2 . Entretanto, tive um convite da SIC, e uma contraproposta da TVI para integrar "Morangos com açúcar".
Qual era esse projecto da SIC?
"Rebelde way". Optei pela TVI, pois tinha trabalhado lá, e foi uma questão de gestão de carreira também. Sabia que ali teria hipótese de ter um percurso mais sólido.
Acredita que se aprende fazendo?
Sim. Acredito em trabalho, embora seja necessário talento. Trabalho-me todos os dias, é uma forma de aprendizagem. Ainda que ver os outros seja um belo ensinamento, bem como estudar é importante. Na personagem de "Meu amor" tive de investir particularmente no estudo devido ao perfil de psicopata. Recorri a um amigo psicanalista para me ajudar.
Mas a imagem também conta muito... Sente esse estigma?
Sem dúvida que na sociedade que vivemos a imagem conta. No meu caso ajudou-me, talvez, a abrir uma primeira porta, depois tem de se demonstrar trabalho. Há gente bonita com talento. Nos "Morangos", só sai de lá para trabalhar mais quem tem valor.
O factor sorte também pesa?
Pode ter-se nos "castings", sim. E um palmo de cara conta. Não há ponto sem nó. Para se apostar em alguém, ou se lhe reconhece mérito, ou a apetência para se tornar num "produto vendável". No fundo, a sorte é darem-nos a oportunidade de provar o que valemos.
Nunca sentiu preconceito, ou desconfiança, por parte de colegas com outra bagagem a nível de formação?
Houve fases em que senti algumas falhas, e que percebi a falta que a formação pode fazer. No entanto, em jeito de sanguessuga, absorvi o que pude para as colmatar e ter bases de construção. É ponto assente algum preconceito, mas tentei capitalizá-lo. Preocupo-me comigo. Tenho um lado egocêntrico que não me deixa afectar. Além disso, tive colegas com muita disponibilidade para me ajudar a crescer enquanto profissional.
Fez o "Meu Amor" e saltou para "Sedução" num tão curto espaço de tempo. Porquê? Por ser de Rui Vilhena?
Ele é um dos autores mais cobiçados pelos actores. As suas novelas são muito bem escritas e todas as personagens têm uma vida muito própria. Somos nómadas, cruzamo-nos com quase todos os núcleos. É uma delícia ler os guiões. Têm uma linguagem diferente e é aliciante esmiuçá-la. Custou-me só ter três semanas de interregno, mas sucedeu o mesmo em "Destino Imortal".
Pode descrever o perfil do "Nuno"?
É mais bondoso do que o "Jorge" que constituía outro desafio em termos de rasgo emocional. No início da novela é pouco ambicioso, mas não desinteressante. O epicentro do sismo dele é a "Vitória", sendo o amor por ela que o move. É justo e honesto.
Foi complicado descolar-se da personagem anterior?
Se dissesse que não, mentiria. São densidades psicológicas diferentes. Há inseguranças que por vezes nos levam a apoiar no que já estava construído, no caso, fazendo com que recorramos à antiga personagem para ajudar na nova. Mas tem de se limpar tudo, desde o tom de voz à expressividade.
Para os espectadores não pode criar também um pouco de confusão?
Acontece a muitos actores saírem de uma novela e entrarem logo noutra. Por gestão do canal, ou pessoal. Pode ser um risco, mas também uma prova de fogo.
Não tem receio de cansar a imagem?
Uma boa agência ajuda muito, como acontece no meu caso. Depende também dos papéis que se aceitem. Fora do trabalho é que há que ter determinados cuidados, embora a promoção deva existir.
Como é que olha para as presenças, nomeadamente em discotecas?
Olho para a minha conta bancária. Temos de tirar partido das coisas que podem ser benéficas. Sair à noite, todos nós saímos.
Sente que vive na sombra de namorar com Isabel Figueira?
Não. Antes de namorar com ela já tinha o meu trabalho. É natural que se associe. Mas se isso me perturbasse não teria assumido publicamente a minha relação.
Mas fica mais exposto. Incomoda-o a especulação na imprensa?
Não leio. Gosto de ser ignorante. Não me coíbo de nada. É evidente que as pessoas falam e escrevem. Têm de encher páginas.
Não tem necessidade de se blindar?
Emocionalmente, é óbvio que há coisas que mexem connosco e temos de criar uma bolha à volta.
Essa sua indiferença não pode ser confundida com arrogância?
É-me indiferente e respondo com um sorriso. Sou arrogante quando tenho que ser. Mas gosto muito do público. Uma vez tive de andar a fugir no supermercado porque uma senhora me queria bater por causa do "Jorge". Achei piada.
