"Heated rivalry": drama gay sobre hóquei é fenómeno mundial e seduziu até a Rússia

Protagonizados por Hudson Williams e Connor Storrie, Shane Hollander e Ilya Rozanov vivem uma história de amor que não deixa ninguém indiferente
Foto: Divulgação
Série estreou a 23 de janeiro em Portugal e inspirou atletas, gerando debate sobre representatividade LGBTQIA+.
A série televisiva "Heated rivalry" estreou em Portugal no dia 23 de janeiro na HBO Max, depois de se tornar um fenómeno global que conquistou audiências na América do Norte, Europa e até na Rússia. Baseada nos livros "Game changers", da canadiana Rachel Reid, a história acompanha Shane Hollander, jogador canadiano, e Ilya Rozanov, russo, rivais na liga fictícia Major League Hockey que desenvolvem uma relação secreta ao longo de oito anos. A narrativa mistura rivalidade desportiva, tensão romântica e cenas explícitas de intimidade, oferecendo uma representação rara da homossexualidade num ambiente altamente masculino.
O êxito da série não se explica apenas pela narrativa. Os protagonistas, Hudson Williams e Connor Storrie, passaram de carreiras discretas para ícones internacionais. Williams, de 24 anos, trabalhava como empregado de mesa na Colúmbia Britânica, enquanto Storrie, 26 anos, tinha pequenos papéis em séries e filmes nos Estados Unidos. A fama crescente levou-os a participar nos Globos de Ouro, a destacar-se no mundo da moda em Milão e Paris, e a serem escolhidos como portadores da tocha nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026.
A influência da série é inegável. Jesse Kortuem, jogador de hóquei na vida real, assumiu publicamente a orientação sexual e afirmou que a série o ajudou a ter coragem para falar abertamente sobre a sua identidade. Harrison Browne, primeiro jogador de hóquei publicamente transgénero, integra o elenco e descreveu o projeto como um marco para a visibilidade LGBTQ+ no desporto.
No que respeita às cenas de intimidade, Jacob Tierney, criador, argumentista e realizador, destacou o trabalho da coordenadora Chala Hunter, considerando-a "a heroína absoluta desta série", e garantiu que a visão artística se manteve intacta, sem reduzir cenas de sexo ou intimidade.
Impacto além do gelo
Mesmo em países com leis anti-LGBTQ+, como a Rússia, "Heated rivalry" conquistou o público através de plataformas ilegais, atingindo no Kinopoisk a classificação de 8,6, a mais alta de sempre. O jornalista Mikhail Zygar considera que a popularidade da série mostra que os espectadores russos procuram normalizar o amor entre pessoas do mesmo sexo e resistir à propaganda oficial.
Nos Estados Unidos, o fenómeno traduziu-se nas vendas dos livros, na viralização nas redes sociais e no entusiasmo de um público feminino que encontra nas relações entre homens a oportunidade de ver intimidade e igualdade de género sem desequilíbrios tradicionais.
Com episódios semanais na HBO Max, a série mantém-se no centro das conversas culturais e desportivas, com repercussão internacional. Uma segunda temporada, baseada no livro "The long game", já está confirmada e deverá explorar ainda mais a vida e a carreira de Shane e Ilya, reforçando a importância da diversidade e da representação LGBTQ+ na televisão e no desporto global.

