
Cena gerada por IA mostra Tom Cruise e Brad Pitt em perseguição no topo de um arranha-céus, o que provocou polémica em Hollywood
Foto: Direitos Reservados
Cena gerada por IA mostra Tom Cruise e Brad Pitt em perseguição no topo de um arranha-céus, o que provocou polémica em Hollywood. Vídeos hiper-realistas com Tom Cruise, Brad Pitt e Batman geram polémica e levam estúdios a exigir restrições.
A nova geração de inteligência artificial (IA) da ByteDance, responsável pelo TikTok, voltou a colocar Hollywood em alerta. O Seedance 2.0, capaz de gerar vídeos hiper-realistas a partir de simples comandos de texto, tem sido usado para criar cenas inéditas com Tom Cruise, Brad Pitt e até Batman, além de recriar universos e séries protegidos por direitos de autor. Em poucas horas, os vídeos já circulavam massivamente nas redes sociais, atraindo milhões de visualizações e reacendendo o debate sobre ética, criatividade e propriedade intelectual.
Em comunicado à CNBC, a ByteDance garantiu que vai reforçar os mecanismos de controlo: "Estamos a tomar algumas medidas para reforçar os mecanismos de segurança atuais enquanto trabalhamos para prevenir o uso sem autorização de propriedade intelectual e aparências pelos utilizadores", disse um porta-voz da empresa. A empresa acrescentou que pretende limitar a criação de conteúdos com pessoas reais e personagens protegidos, embora ainda não seja claro como estas restrições irão funcionar na prática.
O impacto da tecnologia tem sido visível não apenas entre fãs, mas também na própria indústria cinematográfica. Sequências falsas com finais alternativos de "Guerra dos tronos", cenas inéditas de "Dragon Ball Z" ou confrontos entre heróis de universos distintos demonstram o potencial do Seedance 2.0 para criar narrativas completamente novas, mas também levantam questões sobre os limites do que é aceitável reproduzir digitalmente sem autorização. Para muitos especialistas, esta ferramenta marca o início de uma nova era de produção audiovisual, onde a criatividade humana e a inteligência artificial se cruzam de forma cada vez mais indistinguível.
Estúdios em alerta
A repercussão foi imediata. Em poucos dias, clipes com encontros fictícios entre heróis de universos diferentes começaram a circular nas redes sociais. Um dos vídeos mais comentados mostra Tom Cruise e Brad Pitt em plena perseguição no topo de um arranha-céus em ruínas, com efeitos que parecem saídos de um filme de grande orçamento. Outro clipe coloca Batman frente a criaturas inspiradas em "Stranger Things", enquanto personagens de "Bridgerton" surgem em cenários futuristas ou misturados com heróis de outros universos.
Além disso, os fãs experimentaram combinações mais inesperadas: uma batalha entre Spider-Man e Superman, finais alternativos de séries finais alternativos de séries como "Squid Game" e "Bridgerton", e até Will Smith a lutar contra monstros de esparguete digitalmente criados. A viralização foi tão rápida que em poucas horas os vídeos já circulavam em fóruns e redes sociais, gerando debate sobre a tecnologia e consequências.
Para os estúdios, a situação é preocupante. Disney, Warner Bros., Paramount e Netflix enviaram notificações legais à ByteDance exigindo a suspensão do uso não autorizado dos seus conteúdos. A Motion Picture Association (MPA) alertou que a ferramenta permite criar vídeos derivados sem garantias suficientes contra a violação de direitos. A Netflix descreveu o Seedance 2.0 como um "motor de pirataria em alta velocidade".
Uma nova era
O Seedance 2.0 não se limita a replicar rostos e vozes. Permite controlar ângulos de câmara, iluminação, sombras e movimentos subtis de personagens, aproximando o resultado do trabalho de um realizador profissional. Segundo a consultora CTOL Digital Solutions, trata-se do modelo mais avançado do mercado, superando alternativas como Sora, da OpenAI, e Veo, do Google.
A repercussão artística divide opiniões. Heather Anne Campbell, produtora de Rick e Morty, descreveu o fenómeno como "um espetáculo passageiro", reconhecendo o impacto visual, mas questionando o valor criativo. Já o argumentista Rhett Reese alertou que a tecnologia pode reduzir empregos e transformar a produção de guiões, tornando mais barato pedir scripts a uma máquina do que escrever profissionalmente.
Para Hollywood, o desafio vai além do impacto económico. O temor central é preservar o controlo criativo sobre personagens e universos consagrados, evitando que o público associe conteúdos gerados por IA à narrativa oficial.
Em resposta, a ByteDance prometeu reforçar restrições e controlar melhor a geração de vídeos, mas a polémica continua a circular nas redes, com fãs a partilhar novas criações e a debater ética, limites e criatividade digital.

