Plano de saídas voluntárias na Lusa motiva plenário e acusações de "teatro de sombras"

Redação da Lusa vai reunir-se em plenário
Foto: Lusa
Trabalhadores dizem ter sido surpreendidos por um plano de reestruturação de oito milhões de euros. Administração da agência noticiosa garante que não haverá despedimentos nem "lay-off".Trabalhadores da Lusa exigem explicações e convocaram um plenário
A notícia caiu como uma pedra no meio da Redação da agência noticiosa, onde o rumor de um "plano de saídas voluntárias" rapidamente se confirmou. O presidente do conselho de administração da Lusa, Joaquim Carreira, admitiu estar a ser analisado um programa desse tipo e os trabalhadores reagiram de imediato: convocaram um plenário para a quinta-feira, às 15.30 horas, na sede da única agência de notícias portuguesa de âmbito nacional, em Lisboa.
O plano faz parte da reestruturação de oito milhões de euros inscrita no Orçamento do Estado para 2026. Em declarações à própria Lusa, Joaquim Carreira garantiu que "não haverá despedimentos nem "lay-off"". "É preciso qualificar, é preciso renovar e, logicamente, poderia haver uma coisa chamada... não é rescisões, é um plano de saídas voluntárias", explicou.
O investimento de oito milhões (cerca de seis milhões de euros após o desconto do IVA) será aplicado, segundo o presidente do conselho de administração, na "utilização de inteligência artificial" e na criação de "uma área de inovação acoplada também com formação do ponto de vista tecnológico. Também contempla "reforçar e requalificar os meios humanos". Os sindicatos representativos dos trabalhadores - Sindicato dos Jornalistas (SJ), Sitese e Site-CRSA - acusam a administração de ter conduzido as negociações "num teatro de sombras". "Ficámos a saber que, enquanto andávamos em negociações, afinal já estava previsto rescindir com trabalhadores e nunca os sindicatos foram disso informados", dizem, num comunicado conjunto enviado aos trabalhadores da Lusa.
Nova administração
As estruturas sindicais denunciam que "há dinheiro para cortes, mas não há dinheiro para valorizar os trabalhadores" e consideram que a intenção de criar "sinergias com a RTP" pode pôr "em causa a autonomia e independência estratégica da Lusa".
Susana Venceslau, jornalista e delegada sindical da Lusa, afirma que o plano "empobrece a Redação". "Podem chamar o que quiserem, mas a verdade é que é empobrecer ainda mais a Redação. Trabalho na Redação e nunca me apercebi que havia pessoas a mais, até pelo contrário", sublinha. E acrescenta: "Normalmente, são as pessoas com mais anos de casa ou com melhores salários que acabam por ir embora, mas ainda está a ir embora a memória que tanta falta faz. O que nos parece é que querem baixar os salários, em vez de ser o contrário."
Os sindicatos recordam que aceitaram o aumento salarial aplicado à Função Pública com o compromisso de retomar negociações assim que o novo Governo tomasse posse. "Mas a resposta foi sempre a mesma: não há orçamento", referem. Agora, exigem explicações e garantias de que as saídas não colocarão em causa a estabilidade da agência.
À espera da nova administração, que deverá tomar posse ainda este mês, os trabalhadores prometem discutir, em plenário, "os próximos passos" e a defesa das suas condições de trabalho.

