Quando ouviu o padre, na homília, exortar os fiéis a libertarem-se "dos males que nos governam", pensou que era uma metáfora. Depois, caiu em si: as palavras eram-lhe dirigidas. Embora activista católica, personificava o "mal" para a hierarquia da Igreja, porque liderava um Governo tido como esquerdista.
A história é contada pela própria - Maria de Lourdes Pintasilgo, a única mulher que até hoje chefiou um Governo em Portugal, em 1979 - numa entrevista reproduzida no documentário que a RTP 2 lhe dedica, a exibir amanhã à noite.
Realizado por Graça Castanheira, o filme assinala o 80º aniversário do nascimento de uma das mais multifacetadas personalidades da nossa história contemporânea. Falecida em 2004, Pintasilgo foi uma das fundadoras do Graal, movimento internacional de mulheres católicas, destacando-se também na política, sempre como independente.
O documentário apresenta depoimentos de figuras como o ex-presidente da República Ramalho Eanes, que a nomeou primeira-ministra, Eduardo Lourenço e Maria João Seixas, apoiantes da sua candidatura a Belém, em 1986, Luís Moita e Isabel Allegro Magalhães, que a acompanharam na militância católica.
