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Cinco séries portuguesas de ficção, com episódios de pouco mais de um minuto, para serem vistas em telemóveis, estreiam-se a partir de hoje nas plataformas da RTP, acompanhando um fenómeno internacional do audiovisual.
As cinco séries são uma produção da produtora SPi e ficam disponíveis ao longo desta semana na plataforma de 'streaming' RTP Play e nas redes sociais da RTP. Intitulam-se "Herança Fatal", "A Casa dos Outros", "Além do Silêncio", "Sextortion" e "Sabores de Amor", e abordam temas que vão da violência doméstica à crise habitacional.
Designadas 'microdramas' ou 'microsséries', estas produções são um formato inovador recente a nível internacional, com histórias pensadas para serem vistas em telemóveis -- com o ecrã na vertical -- e acessíveis para o espectador em qualquer local.
"O fenómeno tem muito a ver com isso, em que o consumo hoje em dia está muito diversificado. A televisão generalista continua com excelentes audiências, mas sabemos que há uma tendência para uma diversificação de media", explicou à agência Lusa o argumentista e produtor Pedro Lopes, autor do projeto e diretor de conteúdos da SPi.
Segundo Pedro Lopes, a criação destas séries de muito curta duração decorre de uma janela de oportunidade e de negócio perante uma dispersão da atenção do espectador por múltiplos ecrãs.
"Mais do que haver uma estratégia de recuperação da audiência por parte dos meios tradicionais, é haver uma produção para diferentes meios, para diferentes dispositivos e, neste caso, ir ao encontro dos locais, digamos assim, em que a audiência também está", explicou.
Na semana passada, o diretor de programas da RTP1, José Fragoso, dizia à agência Lusa que a televisão pública tem investido num "largo espectro de atividade na área da ficção em áreas muito diversas, que vão desde a ficção linear que passa na televisão até a ficção que passa só na plataforma".
A aposta nestas microsséries faz parte dessa estratégia da estação pública de chegar a mais públicos, sobretudo pelo 'streaming' e pela presença em redes sociais como o Tik Tok e o Instagram.
"A RTP Play é uma ferramenta essencial hoje para chegar ao público, porque hoje em dia muita gente tem 'smart tv' em casa e tem os telefones, e tem os computadores e os iPads, e é possível, através da RTP Play, ver uma série de televisão numa Smart TV em casa", enumerou.
Esta parceria da SPi com a RTP é considerada pioneira na produção generalista de microdramas em Portugal e Pedro Lopes explicou que estas primeiras cinco séries são abrangentes em géneros e temas.
"Temos uma série sobre a violência doméstica, temos uma série sobre divulgação de fotografias íntimas na Internet, por exemplo. Temos uma série sobre a dificuldade que os jovens têm, hoje em dia, de alugar casa nos grandes centros urbanos e de sair de casa dos seus pais", enumerou.
Pedro Lopes acredita que esta diversificação de consumo de audiovisual irá perdurar e deu o exemplo da China, onde, em 2025, as receitas deste formato ultrapassaram "em muito" a bilheteira dos cinemas e a plataforma Tik Tok criou a PineDrama, uma aplicação exclusiva para microdramas.
"Não é por acaso que saíram dados esta semana em que os 'revenues' [receitas] desta área de microdramas e de ficção vertical ultrapassaram as plataformas de 'streaming', por exemplo. Não é por acaso que a Disney anunciou também a incorporação dos microdramas e da ficção vertical na sua própria plataforma de 'streaming'", disse.
Para Pedro Lopes, as cinco séries da SPi para a RTP, realizadas por Manuel Amaro da Costa, são mais do que um "laboratório para perceber o mercado português".
"Acreditamos que há espaço no mercado português para uma nova forma de consumo, de um novo género que se começa a massificar em diferentes territórios", afirmou.
Em novembro passado, a revista Variety escrevia que o mercado dos microdramas poderá atingir, a nível global, os 22 mil milhões de euros de receita em 2030, mas que há ainda questões sobre custos para os espectadores, nomeadamente sobre assinaturas pagas exclusivas para aceder a estes conteúdos.
O produtor Ronan Wong, da produtora chinesa de microdramas AR Asia, dizia em novembro à Variety que este mercado está atualmente na terceira fase de implantação, com mais países a "desenvolverem os seus próprios ecossistemas de microdramas", a espelharem a sua individualidade cultural e social.
