
Manuel Amaral Silveira acorda às 3.45 horas para receber os jornais
Foto: Artur Machado
A Notícias Ilimitadas ofereceu um presente aos donos dos quiosques com mais vendas, em 2025. Além de uma carta, assinada pelo presidente do Conselho de Administração, Domingos de Andrade, receberam uma garrafa de vinho do Porto.
"Nesta quadra de família e celebração, não poderíamos deixar de lhe enviar uma palavra de apreço por fazer parte desta comunidade que acredita no poder da palavra para unir as pessoas." Esta é uma passagem da carta assinada pelo presidente do Conselho de Administração da Notícias Ilimitadas (NI), Domingos de Andrade, dirigida e oferecida, ao longo dos últimos dias, aos donos dos quiosques que mais venderam o "Jornal de Notícias" e "O Jogo", em 2025.
O mimo natalício integrou uma iniciativa da empresa, proprietária dos dois títulos, cujo objetivo é agradecer o trabalho realizado por parte dos vendedores, ao longo do ano. Além da carta, foi ainda entregue pessoalmente, em cada ponto de venda, uma garrafa de vinho do Porto Porto Cruz, para completar o pacote de apreciação.
Os jornais fazem, há muitos anos, parte da vida e da história dos seus melhores distribuidores. Todos tiveram o primeiro contacto com "o cheiro e o toque do papel", durante a infância, tendo perpetuado o legado familiar.
Essa dedicação inesgotável não passou despercebida à NI, onde a edição impressa dos títulos é considerada um baluarte. "Na Notícias Ilimitadas acreditamos na palavra escrita e lida com tempo. Preservamos as histórias únicas de um título centenário como o "Jornal de Notícias", as discussões clubísticas que se desenrolam a partir do diário desportivo "O Jogo", os momentos de conversa ou os planos de lazer em família que saltam das páginas de revistas como a "Notícias Magazine", a "Evasões", a "Volta ao Mundo" ou a "JN História". Cultivar a palavra e deixar que ela respire é a nossa missão diária", lê-se na carta, que sublinha a promessa de "rigor como princípio inegociável e proximidade como traço distintivo".
A mensagem destaca que desde quem produz até quem distribui, todos têm um papel importante no ciclo informativo e no compromisso de oferecer o melhor produto a quem lê. Nesse sentido, Domingos de Andrade deixou "votos de um Natal feliz e cheio de sentido" e o desejo de "que 2026 traga oportunidades de continuar a semear novos projetos e de fortalecer a relação de confiança com os leitores".
Quiosque Arcada (Fafe)
Rui Freitas começou a entregar jornais com o pai

Foto: Artur Machado
É no centro do concelho de Fafe que se situa o melhor vendedor do "Jornal de Notícias" (e segundo em relação ao "O Jogo"), em 2025. Rui Freitas é o atual proprietário do Quiosque Arcada, sucedendo ao pai, que se instalou na Praceta 25 de Abril, em 1988. Desde tenra idade, Rui auxiliava o pai na distribuição de jornais, que considera ter sido importante para a "construção de caráter".
"Palmilhei muitos quilómetros a bater a todas as portas. Estivesse chuva ou frio, lá ia eu entregar os jornais diariamente e, às vezes, eram 10 horas e já tinha o dia ganho", recorda, recuando à época em que tinha 13 anos. Ainda assim, revela que não se livrou de uns raspanetes, quando os jornais chegavam mais tarde.
A mudança dos tempos teve impacto no negócio. A ronda de distribuição é mais curta, mas Rui continua a entregar, como quando era mais jovem. Ainda assim, alegra-se por continuar a ter clientes fiéis, que se deslocam ao pequeno quiosque com localização privilegiada para ir buscar o jornal. Passados quase 40 anos, admite que a paixão se mantém, à semelhança dos primeiros dias.
Papelaria Odete & Lídia (Porto)
Manuel Amaral Silveira acorda às 3.45 horas para receber os jornais

Manuel Amaral Silveira, de 81 anos, começou a trabalhar na distribuição de jornais em 1952, então com oito anos. Os tempos eram outros, iniciava-se o percurso no mundo laboral mais cedo. Manuel guarda boas memórias desse tempo, quando "ainda nem havia um estabelecimento físico" na Rua de Costa Cabral e era apenas um rapaz a vender jornais. Entretanto, a vida levou-o para outros rumos e viveu muitos anos no estrangeiro, regressando à casa-mãe quando se reformou, para, quase poeticamente, voltar ao sítio onde começou. A idade não lhe tira a genica e vontade de trabalhar. "Levanto-me todos os dias às 3.45 horas para estar aqui na banca, à espera dos jornais, que costumam chegar por volta das 4.25 horas. Como o quiosque só abre às sete, aproveito para descansar um pouco. No entanto, é difícil, porque vão aparecendo clientes a bater à porta. O dia aqui só acaba às 19 horas", retrata. Manuel garante que não há truques para ser dos maiores vendedores, uma vez que "o cliente é que escolhe". Ainda assim, a simpatia e a paixão são ingredientes fundamentais.
Papelaria Ferma (Gaia)
Armando Oliveira acredita na renovação das gerações de leitores

Armando Oliveira orgulha-se de ser um dos responsáveis por distribuir "O Jornal de Notícias" e "O Jogo" há mais de 20 anos, pelos moradores de Canelas, em Vila Nova de Gaia. O contributo da Papelaria Ferma para a divulgação da informação é mais antigo ainda, sendo que o negócio familiar resiste há 42 anos. "Lembro-me de ir buscar os jornais em miúdo, dividindo a viagem entre o autocarro e a caminhada. Temos clientes há muitos anos, que mantêm o interesse em receber o jornal por nosso intermédio", revela Armando, acrescentando orgulhosamente que a Papelaria Ferma é a que "mais jornais vende" na freguesia gaiense. Os clientes, admite, "são maioritariamente de faixas etárias mais velhas", mas acredita que as gerações se vão renovando e que o jornal continuará a ser vendido. A própria digitalização teve um papel importante na mudança de hábitos, mas Armando ainda valoriza os hábitos antigos. "Não há nada como o papel, para quem gosta de ler. O cheiro, o toque, o sujar as mãos...", concluiu.
Papelaria Nova Geração (Valongo)
Daniel Dias vendia jornais nas Antas

Para Daniel Dias, proprietário da Papelaria Nova Geração, localizada na freguesia de Alfena, município de Valongo, a paixão pelos jornais começou aos 16 anos, quando ajudava o pai a vender exemplares nas Antas. De manhã era ardina, para apoiar o negócio familiar, e à tarde ia trabalhar em Rio Tinto. "Era duro, mas tinha de ser", assinala Daniel, agora com 55 anos. A mãe distribuía os exemplares na zona de Contumil, enquanto Daniel ficava pelas Antas, local onde guardou as melhores memórias da época. "Naquela altura, vendíamos tudo. Lembro-me de deixar jornais nos degraus da bancada do antigo campo de treinos do Futebol Clube do Porto e, no dia a seguir, passava lá para ir buscar o pagamento", recorda, aludindo a um período em que a palavra era suficiente para selar um contrato. Prova de que o tempo não pára são as memórias que partilha. "Quando lá andava com o meu pai, o Pinto da Costa tinha sido eleito pela primeira vez, veja lá...".
Papelaria Santa Luzia (Santa Maria da Feira)
José Novo e Ana Valente levavam os jornais aos cafés durante a pandemia

"Aqui na nossa zona é só "Jornal de Notícias" e "O Jogo"". Quem o diz é Ana Valente, uma das proprietárias da Papelaria Santa Luzia, situada na freguesia de Mozelos, em Santa Maria da Feira. Esta opinião resulta de 25 anos de experiência no ramo, desde tenra idade. "Trabalho ao balcão desde que os meus pais compraram a papelaria, quando tinha 12 anos, mas também andei na rua a distribuir jornais e ainda hoje assumo essa função", revela, admitindo que nem durante os duros anos de pandemia, essa tarefa parou. "Como os nossos cafés vendiam à porta, conseguíamos ir lá e entregar uns jornais. Além disso, havia quem quisesse continuar a informar-se em casa e lá íamos nós entregar", relembra.
Os novos tempos criaram hábitos diferentes, de leitura informativa online, mas há quem ainda prefira o tradicional. "Os mais velhos são quem aparecia mais o papel, mas temos também casos de pessoas que vão para o digital e depois regressam. Por isso, alguma magia tem", terminou Ana Valente.


