Sempre que recebe grandes eventos desportivos, a África do Sul coloca em modo "pause" os índices de criminalidade, graças às câmaras de videovigilância nos edifícios e às operações Stop nas estradas.
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O balanço, nestas mais de duas semanas de prova, é muito positivo, disse, ao JN, uma fonte da polícia sul-africana. Com excepção de alguns mais mediáticos roubos nos hotéis onde estão alojados ou as comitivas ou os jornalistas, não se têm verificados incidentes de monta. Alguns carteiristas têm sido detidos nas zonas de maior concentração de turistas, foram identificados alguns falsificadores de bilhetes, mas não se registou ainda nenhum grande embaraço.
Para lá da profilaxia que as autoridades foram fazendo nos meses que antecederam o evento, através da divulgação da sua força potencial, houve um investimento significativo na instalação de câmaras de videovigilância - o centro de Joanesburgo, cidade com mais estádios e a mais perigosa do país, possui mais de 200. Olhos atentos que permitem, bem do alto dos edifícios, ler um simples sms no telemóvel dos transeuntes. Capacidade que o JN atestou, de uma forma fugaz, no prédio onde é feito o visionamento e tratamento destas imagens, na Penmor Tower. Local que, por estes dias, está blindado aos jornalistas, talvez porque, ao que apurámos, haja algumas câmaras avariadas.
No terreno, a polícia sul-africana está a seguir a velha estratégia de estar em muitos locais por pouco tempo para criar a ilusão de que está em todo o lado.
Acompanhámos uma operação Stop na zona leste de Joanesburgo. Dois polícias, três militares armados até aos dentes e muitas viaturas caracterizadas intimidam os automobilistas. Durante a cerca de meia hora em que estivemos com eles, não foram apreendidas nem armas nem drogas.
Seguir o exemplo português
Para o Mundial, foi feito um reforço de equipamentos nas viaturas automóveis. Os carros da polícia estão munidos de uma máquina, conectada a um servidor central, que faz uma leitura automática das impressões digitais, o que permite saber na hora se o suspeito em causa está envolvido em alguma ilegalidade.
Em matéria de adeptos, e de acordo com a mesma fonte da polícia sul-africana, os mais vigiados são os ingleses e os norte-americanos (estes últimos de partida da competição). Aliás, a formação de spotters especialmente vocacionados para acompanhar os britânicos foi beber inspiração ao modelo adoptado em Portugal no Euro 2004. Tal como o fardamento usado, agora, pela polícia de choque sul-africana, tirado a papel químico do modelo português.
