
José Carmo/Global Imagens
São três. Paulo Marques, 38 anos, Rui Neto, 35, e Cristina Mouta,34. Estão unidos pelos três lados de um triângulo que nunca é igual, mas que deu origem a uma cadeira assimétrica. De uma cadeira, nasceu a CRU Design, empresa com apenas um ano e que se torna, cada vez mais, uma referência do design industrial. Este "sarrabulho", até porque são todos de Braga, teve como ingrediente principal um encontro no ecossistema de aceleração do "So You Think You Can Pitch".
"O casamento foi no So Pitch. Eu estava no primeiro So Pitch como júri, em representação da empresa Balanças Marques e do Grupo José Pimenta Marques. Conheci o Rui Neto, que estava entre os candidatos na área do design. Achei interessante a apresentação dele, conversámos e convidei-o a lançar a empresa, em sociedade com a Marques Negócios", do Grupo José Pimenta Marques, recorda Paulo Marques, director comercial das empresas do grupo económico de que a CRU Design faz igualmente parte.
O clique da ideia, transformada em negócio que percorre exposições de design em França ou lança aplicações para o mundo dos smartphones, nasceu da insistência de Cristina Mouta. Desafiou Rui Neto a enfrentar o júri "So Pitch". "Ela é que me impulsionou, pois não é muito comum de minha parte entrar nestas coisas. Mas porque não experimentar novos desafios?" Ainda bem que foi, reconhece agora Rui Neto, que como Cristina Mouta, formou-se em design em Barcelos, no Instituto Politécnico do Cávado e Ave.
A apresentação em dois minutos no "Pitch", acompanhado pela cadeira assimétrica, foi feita em formato BD , um "currículo infantil" de "um produto chamado Rui que produz outros produtos". "O produto desse produto foi um emprego. Assim nasceu a CRU", frisa o designer.
A ideia muda provavelmente muitos paradigmas entre a relação de quem quer empregar e de quem procura emprego, mas a verdade é que no "So Pitch" não há limites para a imaginação. O campo de batalha do mercado global é o mesmo, as ferramentas dos "mosqueteiros" é que são outras. A CRU nasceu assim, com irreverência e sem receio de arriscar. "Já somos fornecedores de design de algumas linhas no segmento do mobiliário de luxo". E apontam Paulo Antunes a trabalhar com hotéis de luxo.
Não estão fechados numa área. "Também trabalhamos o design gráfico, o tipo de trabalho, como costumo dizer, que paga o gasóleo", destaca Paulo Marques, que num ano vê a CRU design ser um projeto sustentável.
Outros trunfos estão na manga e a carteira de clientes a crescer, de tal forma que esta equipa de três mosqueteiros e a cadeira assimétrica já está a pensar em gerar empregabilidade.
"Estamos a pensar em recrutar mais designers", revela Cristina Mouta e para quem o recrutamento pode vir precisamente do ponto de partida, ou seja, de "uma BD no So Pitch", ninho de ideias muito à frente.
