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Moçambique foi atingido por nove ciclones tropicais no último século

Moçambique foi atingido por nove ciclones tropicais no último século

Moçambique foi atingido por nove ciclones tropicais nos últimos cem anos, segundo um estudo de uma cientista sul-africana.

Jennifer Fitchett, coautora de um estudo sobre frequência e periodicidade dos ciclones tropicais no sudeste de África, revelou que, em média, Moçambique foi atingido por uma tempestade tropical por ano desde 1949, incluindo ciclones tropicais, tempestades e depressões.

A investigadora da Faculdade de Geografia, Arqueologia e Estudos do Ambiente da Universidade de Witwatersrand (Joanesburgo) salientou ainda que a região apresenta condições muito favoráveis à formação dos ciclones tropicais, situando-se entre 5 a 20 graus a sul do Equador e registando temperaturas de 26 graus à superfície do mar.

O último destes fenómenos registou há uma semana, com a passagem do ciclone Idai por Moçambique, Zimbabué e Maláui, provocando até ao momento 577 vítimas mortais confirmadas.

Apesar de tudo, a investigadora refere que Moçambique está "relativamente bem protegida" para uma zona costeira - comparativamente à costa leste dos Estados Unidos, os números são bastante inferiores - devido a Madagáscar, ilha "que bloqueia 95% dos ciclones tropicais" que se formam a sudoeste do Oceano Índico, assinalou.

Jennifer Fitchett recordou que, em 2000, Moçambique sofreu os efeitos de outro ciclone devastador. O Eline, que provocou a morte de 800 pessoas nas cheias subsequentes, foi mais intenso do que o Idai, atingindo a categoria quatro numa escala de 5, mas os impactos socioeconómicos do Idai serão potencialmente mais dramáticos, estando contabilizados até ao momento 242 mortos.

A especialista em geografia física e biometeorologia avança com algumas explicações: "19 anos depois, a população na Beira e na linha costeira de Moçambique é muito maior e por isso há muito mais pessoas potencialmente afetadas. Além disso, à medida que cresce a população, crescem também as infraestruturas que podem ser destruídas".

Por outro lado, acrescentou, "quanto mais aumenta a população, mais aumentam as necessidades de serviços básicos, o que absorve os investimentos que poderiam estar a ser direcionados para medidas de adaptação a longo prazo".

Para a investigadora, a adaptação aos fenómenos climáticos extremos implica melhorar as infraestruturas para suportar os danos causados pelos ventos, tempestades e inundações, tanto para proteger a propriedade privada como para garantir que cidades não fiquem isoladas quando ocorrer uma tempestade.

Além disso, exige o desenvolvimento de planos eficazes de gestão de catástrofes e de evacuação de populações, associados a sistemas de alerta rápido, para permitir que as pessoas fujam antes da tempestade chegar.

De acordo com a informação disponibilizada pelo Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA), os ciclones tropicais são sistemas de baixas pressões, que se formam na região tropical, em geral entre os 10º e 30º de latitude, que podem originar trovoadas e precipitação forte.

Os ciclones tropicais são designados de forma diferente consoante a área geográfica onde ocorrem: furacões no Atlântico Norte (Golfo do México, Caraíbas e na região Leste dos Estados Unidos); tufão no Oceano Pacífico Norte (região Oeste dos Estados Unidos, Japão e China); ciclone tropical severo na região sudoeste do Oceano Pacífico (Austrália, Nova Zelândia, Indonésia); tempestade ciclónica severa na região norte do Oceano Índico (Índia, Bangladesh, Paquistão); e ciclone tropical na região sudoeste do Oceano Índico (Madagáscar, Moçambique, Quénia).

Os ciclones tropicais têm um ciclo de vida que dura de duas a três semanas e passam por vários estágios de desenvolvimento: depressão tropical (ainda não apresenta olho nem a forma típica que caracteriza estas tempestades), tempestade tropical (quando o processo de desenvolvimento continua, sendo-lhe atribuído um nome) e furacão (quando a intensidade do vento médio atingir valores de, pelo menos, 119 quilómetros por hora.

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