Ngozi Okonjo-Iweala

A mulher nigeriana que faz história ao liderar o comércio global

A mulher nigeriana que faz história ao liderar o comércio global

Os membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) nomearam, esta segunda-feira, Ngozi Okonjo-Iweala como a próxima diretora-geral da organização. Okonjo-Iweala torna-se a primeira mulher e africana a liderar a organização que funciona como um fórum de negociações multilateral. A eleição contou com o apoio de Joe Biden.

A 1 de março, quando Okonjo-Iweala assumir o cargo de líder da OMC, tornar-se-á a primeira mulher e africana a ser escolhida como diretora geral da organização. Contudo, quebrar barreiras não se confere novidade para a economista nigeriana, que já havia ocupado, por dois mandatos, o cargo de ministra das Finanças (2003-2006, 2011-2015) e ministra das Relações Externas (2006), conquistando o título de primeira mulher a assumir essas funções na Nigéria.

Ao longo de 25 anos, a carreira de Ngozi Okonjo-Iweala foi ligada ao Banco Mundial, mas o percurso foi conturbado. Segundo a BBC, a mãe da nigeriana foi sequestrada numa tentativa de amedrontar a economista. Com iniciativas ligadas ao combate da corrupção num país rico em petróleo, o Ministério das Finanças confirmou em comunicado que Okonjo-Iweala foi alvo de várias ameaças no passado. Ainda assim, conquista em 2007 a posição número 2 como diretora administrativa do Banco Mundial.

Um documento interno, divulgado pela Deutsche Welle (DW) e que remete a 8 de julho de 2011, chama a atenção para o "papel excecional" desempenhado por Okonjo-Iweala. Segundo Bob Zoellick, presidente do Banco Mundial na época, a contribuição da economista foi "brilhante". "Além de supervisionar o trabalho do banco em África, no sul da Ásia, na Europa e na Ásia Central e da sua atuação nos Recursos Humanos, Ngozi desempenhou um papel fundamental na supervisão do trabalho do banco no sentido de ajudar os países prejudicados por preços altos e voláteis de alimentos ", disse Zoellick.

O ex presidente do Banco Mundial acrescenta ainda que, com a liderança de Ngozi Okonjo-Iewala, conseguiram montar um fundo de resposta à crise alimentar chegando a mais de 40 milhões de pessoas em 44 países.

Os elogios fazem-se somar e os galardões também. Okonjo-Iweala foi reconhecida por desenvolver programas de reforma que ajudaram a melhorar a transparência governamental e estabilizar a economia, de acordo com a revista americana de negócios Forbes, que a colocou em 48.º lugar no ranking mundial das "50 Mulheres Mais Poderosas" em 2015. Os prémios exaltam não só o poder e influência, mas também a representatividade feminina nos cargos que vem assumindo.

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Ngozi Okonjo-Iweala, de 66 anos, liderou a Aliança Global para as Vacinas (GAVI) até 31 de dezembro, altura em que terminou o mandato. O objetivo da GAVI é assegurar que os países em desenvolvimento tenham o necessário acesso às vacinas contra a covid-19. Além disso, foi enviada especial da União Africana para mobilizar apoio financeiro internacional na luta contra a pandemia e enviada especial da Organização Mundial de Saúde para a iniciativa "ACT Accelerator", que procura o acesso global ao desenvolvimento de tratamentos, diagnósticos e formas de prevenção da covid-19.

A propagação do SARS-CoV-2 é assumida pela nova líder da Organização Mundial do Comércio como uma das principais preocupações. Okonjo-Iweala disse que a sua prioridade será trabalhar com os membros da OMC para minorar as "consequências económicas e sanitárias provocadas pela pandemia".

"Uma OMC forte é essencial se quisermos recuperar completa e rapidamente dos estragos causados pela pandemia de covid-19. (...) A nossa organização enfrenta muitos desafios, mas se trabalharmos em conjunto, conseguimos tornar a OMC mais forte, mais ágil e mais adaptada às realidades atuais", declarou Okonjo-Iweala num comunicado.

A eleição de Ngozi Okonjo-Iweala contou com o apoio de Joe Biden, que contrariou a decisão do antecessor, Donald Trump, em apoiar a candidatura de Yoo Myung-hee, ministra do comércio da Coreia do Sul. No início de fevereiro, com a subida de Biden ao poder, a candidata sul-coreana retirou a candidatura e os Estados Unidos deram o seu apoio a Okonjo-Iweala, segundo comunicado da OMC.

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