Afeganistão

A queda de Cabul: principais acontecimentos desde a tomada de poder pelos talibãs

A queda de Cabul: principais acontecimentos desde a tomada de poder pelos talibãs

Principais acontecimentos desde a entrada dos talibãs na capital do Afeganistão, Cabul, a 15 de agosto, que confirmou a sua tomada do poder no país.

Em 15 de agosto, os talibãs entram em Cabul e tomam o palácio presidencial, no final de uma ofensiva-relâmpago iniciada em maio, com a retirada das forças norte-americanas e dos seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês), incluindo Portugal.

Em dez dias, os rebeldes do movimento xiita radical conseguem controlar todas as grandes cidades sem encontrarem muita resistência.

Um porta-voz dos insurrectos promete "um governo inclusivo".

À noite, o ex-vice-presidente Abdullah Abdullah anuncia que o presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, tinha deixado o país.

"Os talibãs ganharam", admite Ghani no Facebook, explicando que tinha fugido para evitar um "banho de sangue".

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No dia seguinte, começa a retirada de diplomatas, outros estrangeiros e afegãos ao seu serviço, numa operação organizada à pressa. Uma maré humana corre para o aeroporto de Cabul, dando origem a cenas de total anarquia.

As forças de segurança lutam para manter a ordem, dois homens são mortos por soldados norte-americanos e os voos são suspensos por várias horas, porque as pistas ficam inoperacionais.

Aviões militares de todo o mundo começam uma corrida contra o tempo para retirar milhares de pessoas do Afeganistão, incluindo 16 cidadãos portugueses.

Centenas de afegãos são filmados a correr ao lado de um avião de transporte militar dos Estados Unidos da América (EUA) e depois veem-se pelo menos dois corpos a cair quando o aparelho já está no ar.

A China é o primeiro país a dizer que quer "relações amigáveis" com os talibãs.

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) adverte os talibãs contra a utilização do país como base para futuros ataques terroristas.

O presidente dos EUA, Joe Biden, alvo de fortes críticas, defende firmemente a sua decisão de retirar as tropas norte-americanas, durante um discurso à nação.

A missão de Washington nunca foi a de construir uma nação democrática, mas sim "impedir um ataque terrorista em solo americano", afirma Biden.

No dia 17, a chanceler alemã, Angela Merkel, diz estar aberta ao acolhimento "controlado" de refugiados "vulneráveis".

"As imagens do desespero no aeroporto de Cabul são uma vergonha para o Ocidente", diz o Presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier.

Moscovo considera positivos os sinais enviados pelos talibãs e apela a um diálogo de "todas as forças políticas, étnicas e sectárias" do país.

O mulá Abdul Ghani Baradar, cofundador e número dois dos talibãs, regressa de Doha ao Afeganistão, aterrando em Kandahar, a segunda cidade do país e 'berço' do seu movimento.

Na sua primeira conferência de imprensa, os talibãs asseguram que não procurarão vingar-se dos seus adversários, que são perdoados. "Estamos empenhados em deixar as mulheres trabalharem de acordo com os princípios do Islão", diz um porta-voz.

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, afirma que a União Europeia (EU) "terá de falar" com os talibãs porque eles "ganharam a guerra".

O procurador do Tribunal Penal Internacional diz estar "particularmente preocupado" com as denúncias de crimes e execuções que possam "equivaler a violações do direito humanitário internacional".

No dia 18, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, adverte que os talibãs "serão julgados com base em ações e não em palavras".

A União Europeia e os Estados Unidos manifestam-se "profundamente preocupados" com a situação das mulheres, numa declaração coassinada por 18 outros países.

A publicidade com mulheres nas montras de lojas em Cabul é tapada ou vandalizada.

Os funcionários talibãs encontram-se com os ex-presidentes Hamid Karzai e Abdullah Abdullah em Cabul.

Ashraf Ghani diz nos Emirados Árabes Unidos que apoia estas negociações, acrescentando que está "em discussões para regressar" ao seu país.

"Ele [Ghani] já não é uma pessoa importante no Afeganistão", diz a diplomacia norte-americana.

No dia 19, o chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov, declara que estava a ser organizada uma resistência no vale de Panshir, a nordeste de Cabul, com o antigo vice-presidente Amrullah Saleh e Ahmad Massoud.

Este último, filho do comandante Massoud que foi assassinado em 2001 pela Al-Qaida, exige o apoio norte-americano em termos de armas e munições.

Um documento confidencial da ONU mostra que os talibãs fazem "visitas seletivas" a afegãos e suas famílias que trabalharam com forças estrangeiras.

Os talibãs celebram o dia da independência do Afeganistão do Império Britânico (19 de agosto) com uma declaração de vitória contra os Estados Unidos, que consideram como "outro arrogante do poder no mundo".

Cidadãos afegãos desafiam o novo poder exibindo bandeiras tricolores do Afeganistão, em vez da bandeira branca dos talibãs.

No dia 20, o presidente russo, Vladimir Putin, apela para que se evite o "colapso" do Afeganistão e não se permita que os terroristas abandonem o país, inclusive fazendo-se passar por refugiados. Putin critica a política ocidental "irresponsável" de "imposição de valores estrangeiros" aos afegãos.

Dois dias antes, o Fundo Monetário Internacional tinha anunciado a suspensão da ajuda ao Afeganistão devido à incerteza sobre a liderança política em Cabul.

A NATO pede aos talibãs que permitam a saída de afegãos que queiram deixar o país. O secretário-geral, Jens Stoltenberg, admite que o principal desafio da operação é "assegurar que as pessoas possam chegar e aceder ao aeroporto".

Joe Biden diz não poder garantir o "resultado final" da operação de evacuação em Cabul, "uma das mais difíceis da história", mas assegura que os militares norte-americanos ficarão no país "até todos saírem", mesmo para lá do prazo previsto de 31 de agosto.

A 21, o cofundador e número dois dos talibãs, Abdul Ghani Baradar, chega a Cabul depois de dois dias em Kandahar. Responsáveis talibãs afirmam trabalhar para o "estabelecimento de um governo inclusivo".

A embaixada dos Estados Unidos exorta os cidadãos norte-americanos a evitarem deslocar-se para o aeroporto devido a "potenciais ameaças à segurança".

Do lado europeu, Josep Borrell considera "impossível" retirar todos os colaboradores afegãos até 31 de agosto.

A 22, Londres anuncia a morte de sete afegãos na confusão junto ao aeroporto de Cabul. Na véspera, a emissora Sky News tinha mostrado as imagens de pelo menos três corpos.

Um alto responsável talibã acusa os Estados Unidos de serem responsáveis pelo caos no aeroporto.

A Organização para a Cooperação Islâmica (OCI), dizendo temer que o Afeganistão se torne um "refúgio terrorista", apela a um diálogo inclusivo.

Os talibãs anunciam ter enviado "centenas" de combatentes para o vale do Panshir, a nordeste de Cabul, onde se formou uma bolsa de resistência, conduzida nomeadamente por Ahmad Massud, filho do comandante Ahmed Shah Massud, assassinado em 2001 pelo grupo 'jihadista' Al-Qaida.

O presidente norte-americano declara no domingo haver "discussões em curso" com as forças armadas "sobre o prolongamento" da presença militar dos Estados Unidos em território afegão além do dia 31 de agosto, tendo em conta o andamento do processo de retirada.

O chefe da diplomacia francesa, Jean-Yves Le Drian, diz ter pedido a Washington "uma coordenação mais eficaz e mais forte" com os seus aliados para a evacuação de Cabul, adiantando que os franceses permanecerão no aeroporto de Cabul enquanto este estiver aberto e houver segurança.

Os Estados Unidos ordenam uso de aviões comerciais para retirar afegãos.

Ainda a 22, o assessor para a Segurança Nacional de Biden admite que a ameaça de ocorrer um ataque terrorista perpetrado pelo Estado Islâmico no aeroporto de Cabul "é real e persistente".

No dia 23, um guarda afegão foi morto e três ficaram feridos no aeroporto de Cabul, num tiroteio com "atacantes não identificados" que levou à intervenção de forças alemãs e norte-americanas, anunciou o exército alemão.

No mesmo dia, um porta-voz dos talibãs afirmou que estender além do final de agosto os esforços dos países aliados para retirar pessoas do Afeganistão representava uma "linha vermelha" e provocaria "uma reação".

Lembrando que Biden anunciou a data de 31 de agosto, considerou que não a respeitar "significa que estão a estender a ocupação quando não há necessidade".

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) alerta que cerca de 10 milhões de crianças precisam de assistência humanitária no Afeganistão.

A Alemanha indica estar em negociações com os EUA, Turquia e outros aliados para manter o aeroporto de Cabul aberto para a retirada de pessoas após 31 de agosto.

O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão diz a 24 que o tempo planeado pelos Estados Unidos para sair do Afeganistão, até 31 de agosto, "não será suficiente" para retirar todas as pessoas que desejam abandonar o país.

A Alta-Comissária para os Direitos Humanos da ONU pediu aos Estados que apoiem a criação de corredores de saída de refugiados e migrantes afegãos e que alarguem os programas de asilo para os mesmos.

Numa sessão urgente do Conselho dos Direitos Humanos dedicada à situação no Afeganistão, Michelle Bachelet alertou que a forma como as mulheres serão tratadas pelos talibãs será uma "linha vermelha".

Um porta-voz do movimento fundamentalista pede aos ocidentais para apenas retirarem do Afeganistão os estrangeiros e não os afegãos mais qualificados.

Os talibãs recusam novamente qualquer extensão do prazo para essas operações, no mesmo dia em que Biden decidiu não o prolongar, segundo um funcionário da administração norte-americana.

No mesmo dia na videoconferência de líderes do G7, a União Europeia solicitou aos Estados Unidos que garantam a segurança do aeroporto internacional de Cabul "tanto tempo quanto for necessário" para completar a complexa operação de retirada de cidadãos estrangeiros e afegãos que desejam sair do Afeganistão.

O primeiro-ministro britânico diz que o G7 vai exigir "passagem segura" aos talibãs para os afegãos que querem deixar o Afeganistão depois de 31 de agosto.

O presidente dos Estados Unidos revelou na quarta-feira que o número de voos para fora do Afeganistão aumentou nos últimos dias, tendo sido retiradas do país 33.600 pessoas desde segunda-feira de manhã.

Biden reafirmou que mantém 31 de agosto como prazo para retirada de Cabul das forças internacionais e de civis, argumentando que os riscos de ataques crescem diariamente.

Segundo a ministra da Defesa belga, Ludivine Dedonder, os Estados Unidos pediram aos países que realizam as retiradas do Afeganistão que encerrem as suas operações na sexta-feira.

Os talibãs garantem no dia 25 que vão permitir a realização de voos comerciais após a data-limite de 31 de agosto para as retiradas em curso, insistindo que não é preciso nenhuma extensão do prazo para continuar esse processo.

Na quarta-feira à noite, Estados Unidos, Reino Unido e Austrália apelaram aos cidadãos para saírem do aeroporto de Cabul devido a "ameaças terroristas", quando milhares de pessoas continuavam a chegar ao local para tentar fugir do país.

No mesmo dia, o ministro da Defesa da Dinamarca avisou que já não era seguro voar de e para Cabul.

Hoje vátios países europeus suspenderam ou anunciaram a suspensão do seu envolvimento na operação de resgate de estrangeiros e afegãos em curso no aeroporto de Cabul, entre os quais a França, Bélgica e Países Baixos.

Às 18.24 horas locais (14.54 horas em Portugal continental) ocorre uma primeira explosão junto ao portão do aeroporto de Cabul, segundo a agência de notícias afegã Ariana News. Uma segunda explosão terá ocorrido junto a um hotel da capital afegã.

O governo russo disse ter informações de um balanço de pelo menos 13 mortos e 70 feridos e o porta-voz do Pentágono, John Kirby, indicou haver vários norte-americanos e diversos civis afegãos entre as vítimas.

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