EUA

Adeptos de Trump acusam-no de traição mas há quem veja mensagens ocultas

Adeptos de Trump acusam-no de traição mas há quem veja mensagens ocultas

Donald Trump reconheceu finalmente a derrota nas presidenciais dos EUA, prometendo uma transição pacífica de poder e criticando os manifestantes que invadiram o Capitólio. O discurso divulgado na sua conta no Twitter, esta quinta-feira, provocou a ira dos seus apoiantes mais fervorosos e novas teorias da conspiração.

Os "trumpistas" de extrema-direita reclamam agora traição em redes e fóruns como o Parler e 4chan, cada vez mais usados à medida que as redes sociais mais comerciais iam bloqueando as mensagens e perfil do ainda presidente norte-americano.

No vídeo publicado, Trump criticou o violento protesto no Capitólio, por si incitado, considerando que se tratou de um "ataque hediondo", que o deixou "enfurecido com a violência, a desordem e o caos" e que aqueles que "infringiram a lei vão pagar" por isso.

As palavras parecem refletir preocupação com o aumento do risco de afastamento da Presidência antes de terminar o mandato, produzido pelos acontecimentos por si motivados. Contudo, provocaram uma onda de raiva e desapontamento entre os seus mais fiéis seguidores.

"Um soco no estômago", escreveu um. "Uma facada nas costas", dizia outro. "Estou com vontade de vomitar", comentava um terceiro. "Ele diz que vai ser selvagem [o protesto] e, quando se torna selvagem, chama isso de ataque hediondo e mostra o dedo do meio aos seus apoiantes, a quem disse para estarem lá", diz outro comentário amplamente partilhado.

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Mas nas linhas mais sombrias destes fóruns e nas redes sociais, como na caixa de comentários ao vídeo de Trump no Twitter, também se encontram os adeptos das teorias da conspiração, que alimentam o culto do movimento QAnon.

Onde uns viram Trump a virar-lhes costas, estes viram um vídeo "profundamente falso", orquestrado pelos inimigos de Trump, ou mensagens secretas a indicar que Trump ainda estava no caminho para cumprir as promessas de QAnon.

"Falso, falso, falso. Ele tem o Twitter bloqueado, não pode entrar nele", dizia um seguidor. "Ele tem um plano. O presidente Trump não recuaria tão facilmente", escrevia outro. "Precisamos de permanecer firmes, de continuar a vigiar e de rezar. Algo grande está para acontecer e Deus vai tratar disso", publicou outro apoiante.

As mensagens dos "trumpistas" contra o presidente também foram aparecendo pontualmente nas redes sociais. "Ele desrespeitou tudo. Nós arriscámos a nossa vida por ele", lia-se, por exemplo, num comentário no Reddit, enquanto outros usuários o insultavam e mandavam dar uma volta.

Já outros sites de notícias de direita e extrema-direita mais conhecidos, como o "Daily Caller" e o "Breitbart", parecem estar a apoiar um emergente consenso republicano hostil a Trump, acusando-o não apenas dos confrontos no Capitólio, mas também de entregar a Presidência, a Câmara dos Representantes e o Senado aos democratas.

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