EUA

Amanda Gorman, a mais jovem poetisa a declamar numa tomada de posse

Amanda Gorman, a mais jovem poetisa a declamar numa tomada de posse

Aos 22 anos tornou-se na pessoa mais jovem a declamar um poema numa tomada de posse presidencial. Amanda Gorman não era um nome desconhecido na cultura norte-americana, mas após esta quarta-feira ganhou palco para o mundo. Ao novo presidente dos EUA, Joe Biden, prometeu uma coisa: vai voltar a Washington.

Ainda era criança e já se interessava pela poesia. A mãe, professora, incentivou-a a ler e a escrever, ao invés de passar o dia a olhar para a televisão. O gosto pelas letras deu frutos: durante a infância chegou a colaborar com alguns jornais. Natural de Los Angeles, a jovem prosseguiu os estudos na área da Sociologia na prestigiada Universidade de Harvard. Esta quarta-feira, Amanda Gorman juntou-se a nomes como Maya Angelou e Robert Frost e tornou-se na sexta poetisa a declamar numa tomada de posse presidencial e na mais jovem a concretizar este feito. A imprensa norte-americana avança que a jovem foi uma escolha da primeira-dama Jill Biden.

O talento de Gorman já não era estranho ao olhar público: foi a poeta juvenil laureada de Los Angeles aos 16 anos e em 2017 recebeu o mesmo reconhecimento, mas a nível nacional. Pela plateia dos seus eventos, na Biblioteca do Congresso dos EUA ou no Lincoln Center, já passaram figuras como a antiga secretária de Estado Hillary Clinton, o antigo vice-presidente norte-americano Al Gore, a ativista paquistanesa Malala Yousafzai e o ator Lin-Manuel Miranda. A norte-americana é ainda uma ativa colaboradora do jornal "The New York Times" (NYT) e de várias revistas.

Para a tomada de posse de Joe Biden, Amanda escreveu o poema "The Hill We Climb" ("A Colina que Subimos"), que aborda subtilmente o ataque ao Capitólio. A jovem poetisa terminou o poema a 6 de janeiro, dia dos tumultos, e não queria que o incidente passasse em branco. "Não posso ignorar ou apagar. Então, fiz um poema inaugural que reconhece as cicatrizes e as feridas", explicou ao jornal "Los Angeles Times".

A poetisa garante que ninguém lhe disse sobre o que escrever. A tomada de posse iria acontecer com o tema "America United" ("América Unida"), portanto Amanda Gorman teria de ter uma mensagem conciliadora e não destrutiva para com alguém, neste caso, Donald Trump. "Vamos elevar este mundo ferido a um mundo maravilhoso ... Sempre há luz, se apenas formos corajosos o suficiente para vê-la. Se apenas formos corajosos o suficiente para sê-lo", declamou. A prestação da jovem não desiludiu: recebeu uma ovação e muitos internautas destacaram-lhe o talento.

PUB

As palavras de Gorman centram-se sobretudo em temas como a opressão, a raça e o feminismo. Para a jovem de 22 anos escrever ajudou-a a enfrentar um problema na fala. "Tornou-me a artista que sou e a contadora de histórias que me esforço para ser. Quando se tem de aprender a dizer sons, quando temos de nos preocupar muito com a pronúncia, isso dá-nos uma certa consciência da sonoridade, da experiência auditiva", contou ao "LA Times".

Para 2021, a jovem norte-americana tem previsto o lançamento do livro "The Hill We Climb", onde constará o poema da tomada de posse, e o livro ilustrado "Change Sings", que conta a história de uma rapariga numa jornada musical por mudanças no Mundo. Ao "The New York Times", em 2017, garantiu que quer candidatar-se à presidência em 2036. Antes da tomada de posse, Amanda Gorman repetiu o mesmo intuito à "Associated Press": "Vou dizer a Biden que vou voltar".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG