O Jogo ao Vivo

Mistério

América não consegue explicar "fenómenos aéreos não identificados"

América não consegue explicar "fenómenos aéreos não identificados"

Relatório inédito dos EUA vai ser apresentado ao Congresso ainda este mês. Documento sobre fenómeno OVNI está a gerar grande expectativa: analisa 120 relatos de avistamentos estranhos desde 2004.

Agências oficiais de investigação e inteligência norte-americanas estão a finalizar um relatório inédito sobre "fenómenos aéreos não identificados" que abarca ações dos últimos 17 anos. O facto está a espoletar novo interesse e especulação sobre a forma como o governo dos EUA lida com os avistamentos de misteriosos objetos voadores e se existe alguma conclusão lógica que os explique.

O relatório está a ser compilado pelo diretor da CIA, agência de inteligência civil do governo dos Estados Unidos, e pelo secretário de defesa, e visa tornar público aquilo que o Pentágono sabe efetivamente sobre os OVNI, objetos voadores não identificados.

O jornal "The New York Times", que teve acesso às conclusões preliminares do relatório, apontou que o governo dos EUA vai divulgá-lo ainda este mês, previsivelmente antes do dia 25 de junho, e que o seu conteúdo abarca cerca de 120 relatos de avistamentos insólitos feitos por pilotos da Marinha desde 2004. O relatório será enviado, para discussão pública, aos membros do Congresso norte-americano.

Não são nossos, mas não sabemos o que são

A principal conclusão é esta: o governo dos Estados Unidos não pode afirmar taxativamente que os invulgares objetos voadores são aeronaves alienígenas ou que eram tripuladas por seres extraterrestres. Mas também não consegue explicar o que são realmente.

O documento, que está ainda nas mãos de altos funcionários da administração do presidente Joe Biden, elimina, aparentemente, um dos principais rumores à volta dos avistamentos: a grande maioria dos 120 incidentes registados desde 2004 não pertence à tecnologia militar dos EUA ou a projetos de teste de armas classificadas como ultrassecretas.

PUB

E, agora, uma hipótese permanece no ar: trata-se de nova tecnologia experimental, possivelmente tecnologia hipersónica ainda desconhecida? E a quem pertence: aos clássicos rivais dos EUA, como a Rússia ou a China? O relatório poderá fazer luz sobre essas dúvidas.

"Acelerava como algo que nunca tinha visto"

Uma parte sumarenta do relatório, diz o "The New York Times", centra-se em objetos voadores observados por pilotos da Marinha em voos entre novembro de 2004 e março de 2015.

Testemunhos dão conta de fenómenos aéreos inexplicáveis verificados a oeste da cidade californiana de San Diego, concretamente sobre as ilhas de San Clemente.

As descrições falam em luzes invulgares e comportamentos erráticos de naves que desafiavam as leis conhecidas da física. E que essas naves tinham uma forma insólita, eram mais compridas do que largas, como se fossem pílulas oblongas a voar.

Segundo os depoimentos, as naves não tinham motores nem propulsão visíveis e estavam a movimentar-se a mais de 9000 metros de altura, empreendendo grandes acelerações, atingindo grande velocidade.

Um desses objetos voadores fez aparições diárias entre o verão de 2014 e março de 2015. "Acelerava como algo que eu nunca tinha visto", disse em depoimento David Fravor, um dos pilotos da Marinha dos EUA.

"A coisa mais estranha e mais obscura que eu já vi a voar"

Entrevistados na semana passada pelo programa de investigação "60 Minutos", da CBS News, o comandante Dave Fravor, juntamente com o copiloto Alex Dietrich, disse claramente que não conseguia classificar o objeto voador que ambos viram.

Fravor descreveu-o como um "pequeno objeto branco com o aspeto de um rebuçado Tic-Tac", acrescentando que a nave não tinha asas, nem tubos de escape de combustível. Também não possuía marcas de fabrico, modelo ou qualquer espécie de identificação. E movia-se de forma muito irregular e muito rápida, disseram os pilotos.

"A nave ia para a frente e para trás muito depressa, e também para a esquerda e para a direita", disse o comandante. "Comportava-se como se fosse uma bola de pingue-pongue no ar. Foi a coisa mais estranha e mais obscura que eu já vi a voar".

Dave Fravor disse então que se aproximou do objeto misterioso para o poder ver mais de perto, e que ele começou a imitar os seus movimentos. Quando o piloto chegou a cerca de meia milha do OVNI, este desapareceu repentinamente, afirmou o piloto.

O relatório que será divulgado este mês argumenta que muitos desses avistamentos são difíceis de explicar. Mas elimina a hipótese de serem sondas ou balões meteorológicos, uma vez que as suas trajetórias não respeitaram as mudanças na velocidade do vento.

E ficou de novo no ar a preocupação de que sejam experiências realizados pelas potências rivais dos EUA e que estas possam ter já novas tecnologias supersónicas capazes de iludir radares antimíssil.

A task force dos fenómenos não identificados

No início do ano passado, o Departamento de Defesa dos EUA desclassificou, isto é, deixou de considerar secretos, três vídeos realizados por pilotos da Marinha, um de 2004 e dois de 2015, que mostravam objetos misteriosos a voar a alta velocidade no céu.

Depois, em agosto, o Departamento de Defesa dos EUA criou a Unidentified Aerial Phenomena Task Force para "investigar" e "obter informações" sobre a "natureza e origens" de objetos voadores não identificados.

"Os fenómenos aéreos observados nesses vídeos continuam a ser caracterizados como "não identificados", disseram funcionários do Pentágono na altura.

Os três vídeos já circulavam há anos em certos meandros da internet dedicados aos fenómenos ovniológicos e as autoridades do Pentágono disseram que os divulgaram agora oficialmente para "esclarecer qualquer equívoco do público sobre se a filmagem era real ou não".

Um outro vídeo da Marinha, de 2019, mostrava um objeto em forma de bola a voar sobre um lago nas proximidades de San Diego, na Califórnia. As imagens mostravam a misteriosa nave a voar durante alguns minutos e depois a desaparecer enigmaticamente na água.

Programas secretos do governo desde George Bush

Em 2007, relata agora a CBS News, o Departamento de Defesa dos EUA estabeleceu discretamente o Advanced Aerospace Threat Identification Program (Programa de Identificação Avançada de Ameaças Aeroespaciais), que foi projetado para investigar os OVNI.

A iniciativa secreta, que custou 22 milhões de dólares, fora criada durante a presidência do republicano George W. Bush e foi dada como extinta em 2012, já com Barack Obama na Casa Branca. Mas a existência desse programa especial secreto do governo só foi reconhecida pela primeira vez em dezembro de 2017, já sob a administração de Donald Trump, e devido a uma reportagem do "The New York Times".

O "Times" relatou então que a criação, e financiamento, do programa fora feita a pedido do ex-líder democrata do Senado, Harry Reid.

Já em 2019, a Marinha elaborou novas diretrizes para que os pilotos relatassem "aeronaves não identificadas", numa tentativa de formalizar um processo para investigar esse tipo de avistamentos misteriosos.

Trump deu novo impulso ao fenómeno

O relatório especial que será revelado nos próximos dias perante o Congresso foi criado pelo republicano Trump e impulsionado pelo presidente atual, o democrata Joe Biden, que tomou posse em janeiro deste ano. Esse relatório resulta de uma provisão especial inserida no gigantesco projeto de lei de 2,3 triliões de dólares para combater a pandemia do coronavírus.

E pedia que fosse feita uma "análise detalhada de dados e inteligência de objetos voadores não identificados" por parte da task force especial do FBI.

Segundo a NBC News, alguns senadores estão a pressionar o Congresso e a administração Biden a fazerem mais para investigar os fenómenos OVNI.

"Devemos olhar para isto com seriedade e devemos ter um processo para levar o fenómeno a sério", disse o senador republicano Marco Rubio ao programa "60 Minutos".

Christopher Mellon, um alto oficial do departamento da Defesa que serviu nas administrações de Bill Clinton e de Bush, ouvido pela CBS, foi mais longe: "A minha esperança é que este governo dê ao nosso pessoal militar o apoio que eles merecem. Isto significa determinar o mais rápido possível se se trata de uma ameaça e por que é que estes objetos não identificados, que estão a violar descaradamente o espaço aéreo restrito dos EUA, pretendem de facto".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG