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Apenas 5% dos espanhóis desenvolveu anticorpos à covid-19

Apenas 5% dos espanhóis desenvolveu anticorpos à covid-19

O estudo nacional em Espanha que pretendia saber o nível de imunidade ao novo coronavírus teve os seus primeiros resultados. Apenas 5% dos espanhóis, cerca de dois milhões de pessoas, desenvolveu anticorpos à covid-19, o que coloca o país muito longe da imunidade de grupo.

O estudo de soroprevalência (número de pessoas que desenvolvem anticorpos contra uma infeção) à covid-19 levado a cabo pelo Governo de Espanha concluiu que apenas 5% dos espanhóis desenvolveu algum tipo de defesa e proteção contra a infeção da SARS-Cov-2. Os dados foram analisados pelo Instituto de Saúde Carlos III, cujos resultados preliminares deram ainda a conhecer que o nível de imunidade difere de região para região. Em Madrid, por exemplo, o valor sobe para os 11,3%, em Barcelona fica-se pelos 7,1% e em Múrcia, a imunidade desce para os 2%.

Tal como em alguns países europeus, cujas percentagens se mantêm abaixo dos 5% (Dinamarca com 1,9% e Holanda com 3,2%), Espanha está muito longe da imunidade de grupo na covid-19, que deve ser pelo menos de 60%, segundo os especialistas. Os dados apresentados esta quarta-feira pelo ministro da Saúde Salvador Illa servem para fornecer "um raio-x da epidemia" em Espanha. Mas, o governante pediu cautela e cuidados redobrados no regresso à "normalidade", depois de conhecer estes números.

O projeto deste estudo foi ambicioso e ainda não terminou. O Instituto Nacional de Estatística em Espanha selecionou aleatoriamente 36 mil famílias, mas no total 90 mil pessoas foram convidados a participar voluntariamente no estudo. Para já, nesta primeira fase participaram 60 mil pessoas que foram sujeitas a dois testes (um rápido que consistia apenas numa picada no dedo e outro que exigia análise do sangue). Os testes foram feitos com duas semanas de intervalo para se perceber se as pessoas tinham desenvolvido anticorpos durante este período.

As amostras foram recolhidas por 1416 centros de saúde e 2600 profissionais de saúde. Raquel Yotti, diretora do Instituto Nacional Carlos III diz que o estudo foi "um marco" no país. Apesar da percentagem obtida de apenas 5%, o valor não é estanque ao longo do tempo. "Os dados agora podem não refletir a situação em semanas ou meses; tudo depende das medidas aplicadas", explica o epidemiologista Jesús Molina Cabrillana, citado pelo jornal "El País".

Todas as faixas etárias foram tidas em conta neste estudo, mas relativamente aos menores foi possível concluir que a imunidade é muito reduzida. Por exemplo, foi registada uma percentagem de 2,2% em crianças entre os 1 e os 4 anos e 3% entre os 5 e os 9 anos. Cerca de 26% dos inquiridos eram assintomáticos (não tinham sintomas da covid-19).

Para Ildefonso Hernández, professor da Universidade Miguel Hernández de Alicante, ouvido pelo "El País", o ideal seria que a percentagem de imunidade fosse mais elevada nos idosos, visto serem um grupo de risco ao novo coronavírus. Contudo, o especialista em saúde pública relembra que mesmo com um valor de imunidade igual ou acima dos 60%, nada é garantia de proteção. "Ainda há muitas coisas por saber do SARS-CoV-2", afirmou.

Em Espanha, há empresas a realizar testes serológicos aos trabalhadores e a conceder-lhes passaportes de imunidade, segundo a "Euronews". O governo espanhol já alertou que os testes de imunidade realizados por privados podem não ser fidedignos.

Esta quarta-feira morreram mais 184 pessoas por covid-19 em Espanha, o que aumenta o número de vítimas mortais para as 27104. Há 228691 casos confirmados do novo coronavírus no país.

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