Um técnico português residente em Tóquio há mais de dez anos contou que o sismo desta sexta-feira foi "o mais forte" que sentiu na capital nipónica, mas realçou que "não há pânico". Um cidadão espanhol acrescentou: "Foi um abalo muito, muito forte, parecia irreal, caiu tudo em casa".
"Há água e luz nas casas. Os automóveis nas ruas continuam a circular", disse o técnico português ao telefone com a Agência Lusa em Pequim, cerca das 17.30 horas locais (8.30 horas em Lisboa).
Aquela hora continuavam a sentir-se réplicas, mas "o abalo maior" ocorreu cerca das 15 horas (hora local), referiu. "Aqui em Tóquio estamos habituados a sismos, mas desta vez foi mesmo muito forte. O mais forte das últimas décadas, talvez", disse.
No escritório onde trabalha, os livros e os dossiers caíram das prateleiras: "Estava tudo no chão". Segundo também contou, o elevador do prédio, "por precaução", não funcionava, mas "havia água e luz nas casas" e "as janelas não partiram".
"O trânsito circula, as comunicações estão intermitentes, mas não há pânico", acrescentou.
Também o espanhol Rodrigo Fernandez, reside em Tóquio há cerca de 18 meses, disse à Lusa que o abalo foi "muito forte" e fez cair tudo ao chão em casa. "Uma coisa é estar habituado a alguns tremores e outra coisa foi isto. Foi um abalo muito forte. Parecia até irreal. Aqui em casa caiu tudo ao chão, o edifício abanou muitíssimo e até a água da sanita saiu para fora", descreveu Rodrigo Fernandez, através do Skype.
"Foi tão forte que não te podias manter de pé. Abriu-se o frigorífico e caiu tudo o que tínhamos lá dentro", contou, acrescentando que a namorada, japonesa de 33 anos, "se lembra de um tremor de terra grande quando era pequena, mas nada como este de hoje".
"Há algumas zonas de Tóquio sem luz. Nós temos luz. Mas sobretudo no norte há zonas sem luz, onde temos familiares. Funciona a televisão e a rádio. Os telefones estão cortados, mas em parte porque há muito tráfego nas linhas", afirmou.
