
Aproveitando o passeio matinal ou a ida às compras, os berlinenses estão a votar para as eleições legislativas em clima completamente tranquilo.
Depois de votar na Willy Brandt Oberschule, uma escola primária e secundária em Wedding (sudeste), Elizabeth, uma estudante de medicina, afirmou à agência Lusa não saber o que esperar do resultado, mas inclina-se para uma coligação dos sociais-democratas (SPD) com os democratas cristãos (CDU).
No entanto, a hipótese agrada-lhe pouco, pois argumenta que, "se for assim, pouca coisa irá mudar, porque terão que estar sempre a fazer compromissos um com o outro".
Para duas estudantes de origem turca que também acabavam de votar cerca das 11:00 locais (10:00 em Lisboa), o ato tem um outro objetivo importante: travar a extrema direita.
Preferindo não dizer o nome, afirmam acreditar que "mais jovens vão votar nestas eleições" com o mesmo fim.
"Na escola falam-nos muito de política e das eleições, que se não formos votar o NPD (partido de extrema direita) pode ter mais hipóteses de chegar ao parlamento", declara uma delas.
A outra jovem acrescenta que "nesta campanha houve muito mais propaganda e por isso as pessoas estão mais informadas para travar os nazis".
A alguns metros da assembleia de voto, uma avenida está ocupada por uma feira de rua misturada com parque de diversões.
Muitas pessoas demoram-se nas bancas, especialmente as crianças, que se entretêm a namorar os brinquedos ou a pedir mais uma volta no carrossel.
Christoph, técnico de som numa televisão, vai trabalhar no dia das eleições, mas guardou a manhã para a mulher e para o filho.
"Levantámo-nos, tomámos o pequeno-almoço e fomos logo votar", afirmou à Lusa, acrescentando esperar que "pelo menos 50 milhões" dos mais de 60 milhões de eleitores alemães façam o mesmo.
"Geralmente, os jovens entre os 18 e os 25 anos pensam 'para quê?' e não votam, mas acho que este ano a campanha foi mais interessante", disse.
Em Charlottenburg, na Sophie Charlotte Ober Oberschule, cerca das 11:30 locais, o fluxo de eleitores a chegar era considerável.
O voto é em tudo semelhante ao que se passa em Portugal: o eleitor vê à porta a sala onde vai votar e identifica-se aos membros da assembleia de voto, que conferem o seu nome nos cadernos eleitorais e lhe passam o boletim.
" porta desta escola, numa zona de classe média alta, à espera que o marido vote, Marcela Araya, uma chilena radicada em Berlim, oferece a sua análise de como vota um alemão: "São muito maduros, pensam muito naquilo que fazem, envolvem-se muito e são muito críticos".
"Por exemplo, nós, na América Latina, votamos muito mais com o coração, o que nem sempre é o melhor", admitiu.
Marcela declarou estar "muito entusiasmada" à espera dos resultados das eleições, cujas primeiras projeções acompanhará em casa com o marido Phillip.
Regressado da assembleia de voto, este diz à agência Lusa esperar "uma maioria clara" por parte de um dos dois maiores partidos, acrescentando que, na sua opinião, "pouca coisa deve mudar".
"Não me agradam as mudanças. Além disso, da maneira como as coisas estão a correr não há margem para mudar nada, quer na Alemanha quer na Europa".
*António Pereira Neves, enviado da agência Lusa
