
Foto: John MacDougall/AFP
As autoridades alemãs detetaram 850 voos de drones considerados suspeitos entre janeiro e outubro por sobrevoarem instalações militares e do Estado, divulgou, esta quinta-feira, a revista "Der Spiegel", citando fontes da Polícia Federal de Investigação (BKA).
Um dos episódios destacados ocorreu a 13 de outubro, quando quatro drones foram avistados sobre uma base militar na vila de Gnoien, no leste do país, onde militares ucranianos recebiam formação em defesa antiaérea por especialistas alemães.
As autoridades admitem ser difícil provar a autoria russa destes voos, mas a recorrência de incidentes em áreas sensíveis "aumenta as suspeitas" de fazerem parte de uma "estratégia destinada a gerar insegurança", que incluiria também atos de sabotagem.
Após vários episódios semelhantes, o ministro do Interior, Alexander Dobrindt, anunciou a criação de um centro especializado para reforçar a defesa contra drones.
Um documento sobre ameaças híbridas, citado pela revista, refere que o porto de Rostock é atualmente estratégico para a exportação de cereais ucranianos, após a rota tradicional pelo mar Negro se ter tornado demasiado perigosa devido à guerra. O grão chega agora por via ferroviária e segue depois para mercados internacionais.
O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, alertou na terça-feira para a necessidade de não subestimar a ameaça russa, mesmo que seja alcançado um acordo de paz na Ucrânia, defendendo que as ambições da Rússia "se estendem muito para além da Ucrânia".
