Alex Pretti, o enfermeiro americano morto pelo ICE que não suportava a detenção de crianças

Alex tinha 37 anos e trabalhava nos cuidados intensivosa da Administração de Veteranos
Foto: Direitos Reservados
O homem de Minnesota morto, este sábado, pelos agentes da polícia anti-imigração dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) é Alex Pretti, enfermeiro de 37 anos que trabalhava nos cuidados intensivos da Administração de Veteranos, departamento governamental que lida com assuntos dos veteranos de guerra. Trata-se da segunda morte, este mês, às mãos das autoridades federais.
Pretti estudou enfermagem na Universidade de Minnesota, onde também trabalhou como investigador a partir de 2012. É descrito pelo colega Dimitri Drekonja, diretor da área de doenças infeciosas do referido hospital, como alguém "que queria ajudar as pessoas".
"Era uma pessoa muito prestável, cuidava bem dos pacientes, estou simplesmente chocado", admitiu, citado pelo britânico "The Guardian".
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Alex, um amante da natureza, estava profundamente indignado com a repressão aos imigrantes promovida pela Administração Trump na sua cidade, razão que o levou a participar nos protestos contra a morte de Renee Good, a 7 de janeiro.
"Importava-se muito com as pessoas e estava muito indignado com o que está a acontecer em Minneapolis e nos EUA", revelou o pai do enfermeiro, Michael Pretti, à AP. "Achava horrível sequestrar crianças e simplesmente prender pessoas na rua", acrescentou.
Tal como Renee Good, Alex Pretti era americano e não tinha antecedentes criminais. Segundo a família, nunca tinha tido qualquer contacto com a polícia, apenas multas de trânsito.
Os pais pediram-lhe, recentemente, que tivesse cuidado durante os protestos, "que não fizesse nenhuma asneira" e não se envolvesse em confrontos.
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O Departamento de Segurança Interna alegou que o enfermeiro foi baleado depois de se aproximar de agentes do ICE com uma arma semiautomática de 9 milímetros. As autoridades, por sua vez, não especificaram se Alex Pretti empunhou a arma, que não é visível num vídeo do tiroteio analisado pela Associated Press.
As autoridades federais norte-americanas anunciaram, entretanto, citadas pela Lusa, que o agente que matou Pretti tem oito anos de experiência na Patrulha Fronteiriça dos Estados Unidos (USBP, na sigla em inglês). "O agente estava altamente capacitado e contava com oito anos de trabalho na patrulha fronteiriça. Possui vasta formação como agente de segurança em campos de tiro e como agente especializado no uso de armas não letais", afirmou um alto funcionário da USBP, em conferência de imprensa.

