
Independentistas catalãs serão essenciais para um Governo do PSOE.
EPA/Enric Fontcuberta
Novo Executivo de Sánchez dependerá de alianças com Sumar e partidos nacionalistas e independentistas.
Tema de críticas entre os conservadores durante a campanha eleitoral, os socialistas vão precisar, aliados com o Sumar, da presença de partidos nacionalistas no Governo espanhol para chegar a uma maioria. Partidos como o Partido Nacionalista Basco (PNV), o Bloco Nacionalista Galego (BNG), o EH Bildu, a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) e o Juntos pela Catalunha (JxCat).
O JxCat, que conquistou sete assentos no domingo, não tem como prioridade “a governabilidade do Estado”, avisou a cabeça de lista do partido, Míriam Nogueras, que salientou ainda que não vai apoiar um Executivo socialista “a troco de nada”. “Sánchez tem muitos assuntos pendentes com a Catalunha”, acrescentou.
Desde que declarou a independência catalã após um referendo, em 2017, o presidente do Governo regional da Catalunha na época e atual líder do JxCat, o eurodeputado Carles Puigdemont, está fugido da Justiça espanhola. A também eurodeputada Clara Ponsatí chegou a ser detida pela polícia catalã e interrogada esta segunda-feira, em Barcelona. A ex-conselheira de Puigdemont, que considerou a ação "ilegal", foi notificada de um processo de desobediência antes de ser libertada.
O apoio do JxCat pode afastar, no entanto, aliados do PSOE, como o Partido Socialista da Catalunha (PSC), que não aceitará a amnistia nem a autodeterminação da região autonómica. “A amnistía não é factível dentro do ponto de vista do Estado de Direito e incumpre esta condição que a mim me parece que é fundamental”, afirmou Salvador Illa, primeiro-secretário do PSC, citado pela agência EFE.
EH Bildu não quer PP-Vox
O coordenador-geral do EH Bildu, Arnaldo Otegi, afirmou que os resultados de domingo mostram que os bascos não querem um Governo do PP e do Vox. O partido formado por ex-membros do antigo grupo terrorista ETA, conquistou seis assentos no Congresso dos Deputados.
Em declarações reproduzidas pela EFE, Otegi afirmou que o "bloco reacionário não conseguiu os objetivos" porque "davam como certo que iam conseguir uma maioria absoluta". O dirigente do EH Bildu mencionou ainda que a "janela de oportunidade" que foi aberta na legislatura anterior "continua aberta", referindo-se a união de diversos partidos para um Executivo alternativo ao do PP e do Vox.

