
A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas
Foto: Ronald Wittek/EPA
A chefe da diplomacia europeia avisou, esta terça-feira, os Estados Unidos que as "ameaças não vão pressionar a Dinamarca a ceder a Gronelândia", afirmando que a UE não quer "entrar em conflito", mas vai "manter-se firme".
Num debate no Parlamento Europeu (PE) sobre a "necessidade de uma resposta unida da UE às tentativas de chantagem dos Estados Unidos" sobre a ilha, Kaja Kallas salientou que os EUA, a Dinamarca e a Gronelândia têm "estado envolvidos em negociações diretas".
"É isso que aliados responsáveis fazem", sublinhou.
"Mas o tom dessas conversas é importante, assim como as ameaças feitas à margem. Deixem-me ser muito clara: as ameaças não vão pressionar a Dinamarca a ceder a Gronelândia, só correm o risco de tornar a Europa e os Estados Unidos mais pobres e de minar a nossa prosperidade comum", avisou.
A Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança salientou que o bloco "não tem interesse em entrar em conflito", mas vai "manter-se firme".
"A Europa dispõe de um conjunto de instrumentos para proteger os seus interesses", advertiu Kallas, acrescentando que "a Gronelândia pertence ao seu povo" e "nenhuma ameaça ou tarifa irá mudar isso".
"A soberania não está à venda", disse, recebendo um aplauso dos eurodeputados.
Kaja Kallas reconheceu que a região do Ártico é "uma nova fronteira de competição geopolítica", mas salientou que, "se há preocupações quanto à segurança da Gronelândia, devem ser abordadas no âmbito da NATO".
"Na última semana, um conjunto de países europeus enviou militares para uma missão de reconhecimento à Gronelândia. A sua presença tem como objetivo manter a região segura, previsível e estável. Não representa nenhuma ameaça para ninguém", afirmou.
