O emissário da ONU e da Liga Árabe à Síria afirmou-se este domingo "otimista" depois de ter apresentado "uma série de propostas concretas" ao presidente Bashar al-Assad, mas advertiu que a sua missão será difícil.
Sim, estou otimista", declarou Kofi Annan aos jornalistas, após uma reunião com o presidente sírio. "Mas, vai ser difícil, temos de esperar", acrescentou.
"A situação é tão má e tão perigosa que não nos podemos permitir falhar", afirmou o antigo secretário-geral da ONU, depois de se ter reunido no sábado e hoje com Assad.
"A única forma de avançar é conseguindo compromissos e fazendo concessões. É preciso parar as mortes, a miséria, os abusos cometidos atualmente. Depois dar tempo de forma a permitir uma resolução política" da crise, afirmou.
Kofi Annan disse que as conversações estão centradas na necessidade de "travar de imediato a violência e as mortes, de permitir o acesso às agências humanitárias e de estabelecer o diálogo".
"A resposta realista é (aceitar) a mudança e adotar reformas que lancem as bases sólidas para uma Síria democrática e uma sociedade pacífica, estável, pluralista e próspera com base no Direito e no respeito pelos direitos humanos", afirmou Annan.
"Estou aqui há pouco tempo, mas quase todos os sírios que encontrei querem a paz. Querem o fim da violência e querem retomar as suas vidas", sublinhou Annan, que deixou Damasco pouco depois.
Mas, no terreno a violência não parece abrandar e as forças governamentais prosseguem a sua ofensiva contra a província rebelde de Idleb.
Hoje, morreram pelo menos 34 pessoas, a maioria civis, em todo a Síria. Do total de mortos, 15 são civis, 14 militares e quatro combatentes rebeldes, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).
A mesma organização não governamental indicou que tiveram lugar violentos combates na província de Idleb, alvo de uma ofensiva de envergadura das tropas do regime desde sexta-feira, mas também deu conta de confrontos na província de Damasco e na cidade de Hama.
Em Idleb foram mortas 15 pessoas, quatro das quais civis, segundo a mesma fonte.
Um ano de revolta contra o regime sírio já provocou mais de 8.500 mortos, indicou o OSDH.
