Antigo militar britânico condenado a 14 anos de prisão por espionagem para o Irão

Khalife conseguiu fugir de uma prisão em 2023
Foto: AFP/ Metropolitan Police Service
Um antigo militar britânico foi condenado, esta segunda-feira, a 14 anos e três meses de prisão por espionagem a favor do Irão e por uma fuga da prisão em 2023 que durou três dias.
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Daniel Khalife, de 23 anos, já tinha sido considerado culpado em novembro passado por espionagem e terrorismo por ter passado informações aos serviços secretos iranianos entre maio de 2019 e janeiro de 2022.
Os jurados do Tribunal da Coroa de Woolwich rejeitaram o seu testemunho de que estava a tentar trabalhar para o Reino Unido como agente duplo.
O caso de espionagem de Khalife não tinha recebido muita atenção mediática até ter fugido em setembro de 2023 da prisão de Wandsworth onde se encontrava em prisão preventiva.
O homem agarrou-se à parte de baixo de uma carrinha de entregas e conseguiu escapar do estabelecimento prisional.
Andou em fuga durante três dias até a polícia o prender numa bicicleta junto a um canal em Londres.
Khalife declarou-se culpado da fuga durante o seu julgamento, mas continuou a contestar as acusações de violar a Lei dos Segredos Oficiais e a legislação antiterrorismo.
"Quando era jovem, tinha as características de um soldado exemplar, mas, através de repetidas violações do seu juramento de serviço, revelou-se um tolo perigoso", declarou a juíza Bobbie Cheema-Grubb.
O advogado de Khalife argumentou que os atos atribuídos ao acusado assemelhavam-se mais a um episódio da série de desenhos animados "Scooby Doo" do que a uma história de espionagem de James Bond.
Gul Nawaz Hussain argumentou que o seu cliente apenas tinha transmitido informações imprecisas, incluindo documentos "ridiculamente falsos" que não causaram danos reais.
“O que o senhor Khalife não devia tornar-se era numa lição para os espiões em início de carreira", disse o advogado, porque "as suas intenções não eram nem sinistras nem cínicas".
Mas os procuradores alegaram que Khalife tinha, de facto, feito um "jogo cínico" ao afirmar que queria ser espião depois de ter entregado uma grande quantidade de material restrito e confidencial aos serviços secretos iranianos, incluindo os nomes de oficiais das forças especiais.
Khalife testemunhou que tinha estado em contacto com pessoas do Governo iraniano, mas que tudo fazia parte de um estratagema para acabar a trabalhar como agente duplo para o Reino Unido, inspirado numa série televisiva chamada "Homeland".
As autoridades vincaram que o jovem representava um verdadeiro risco para a segurança nacional devido à ameaça que o Irão representa.
A polícia revelou que o Reino Unido já desmantelou 20 conspirações do Irão em território britânico, incluindo planos de assassinato.
Os serviços de segurança britânicos não tinham conhecimento dos contactos de Khalife com os iranianos até que ele contactou o MI6, os serviços secretos britânicos, para se oferecer para trabalhar como agente duplo.
Khalife contactou o MI6 anonimamente, dizendo que tinha obtido a confiança dos seus contactos iranianos e que estes tinham pago 2.000 dólares em dinheiro (1.578 libras, 1.924 euros) num saco para dejetos de cão num parque do norte de Londres.
Ao proferir a sentença no Tribunal Penal de Woolwich, sul de Londres, a juíza Bobbie Cheema-Grubb concluiu que Khalife "contactou diretamente com um Estado inimigo enquanto era membro das Forças Armadas de Sua Majestade".
"A sua conduta foi premeditada e continuou durante mais de dois anos", acrescentou a magistrada.
A juíza considerou que ele agiu, em particular, para se "vingar pessoalmente" do facto de não ter sido recrutado pelos serviços secretos britânicos.
Khalife alistou-se no exército aos 16 anos e foi destacado para uma unidade de comunicações, mas disseram-lhe que não podia entrar para os serviços secretos porque a sua mãe é iraniana.
Aos 17 anos, o jovem contactou um homem ligado aos serviços secretos iranianos e começou a transmitir informações, segundo os procuradores.
No início de 2021, recebeu uma autorização de segurança da NATO quando participou num exercício conjunto em Fort Cavazos, no Texas.
A juíza referiu que as suas violações de segurança enquanto estava em solo americano poderiam ter causado um incidente diplomático.
