
Presidente sírio em entrevista
SANA/REUTERS
O presidente sírio Bashar al-Assad disse em entrevista que considera as tropas dos Estados Unidos e da Turquia como invasoras por não terem pedido autorização para combater os terroristas em território sírio.
"As tropas estrangeiras que venham para a Síria sem convite ou permissão são invasoras, sejam dos Estados Unidos, turcas ou quaisquer outras", disse al-Assad, numa entrevista ao canal chinês Phoenix TV, reproduzida integralmente pela agência oficial síria Sana.
O Governo norte-americano aprovou esta semana o envio de 400 soldados para se juntarem aos 500 que já operam em território sírio no apoio às Forças Democráticas da Síria curdas na ofensiva contra Raqa (centro-norte), reduto do grupo extremista Estado Islâmico (EI) no território sírio.
O que estamos a ver são incursões locais. Não se pode lidar com o terrorismo numa base local
Os extremistas do EI (grupo também conhecido pelo acrónimo árabe Daesh) estão a enfrentar ofensivas simultâneas no norte da Síria conduzidas pelas forças governamentais, pelos rebeldes sírios apoiados pela Turquia e por uma aliança de combatentes árabes e curdos apoiada pelos Estados Unidos.
Na entrevista, Bashar al-Assad também considerou que a promessa do presidente norte-americano, Donald Trump, de combater o EI ainda não se traduziu em ações concretas.
"Nós não vimos nada de concreto, o que estamos a ver são incursões locais. Não se pode lidar com o terrorismo numa base local. Deve ser abrangente, não pode ser parcial ou temporária. Não pode ser só desde o ar, deve ser em cooperação com as tropas no terreno, por isso os russos foram bem sucedidos", disse.
O presidente sírio afirmou ainda que tem a "esperança" de que os Estados Unidos não considerem limitar a sua luta antiterrorismo ao EI e que alarguem a outros grupos, incluindo a ex-filial síria da al-Qaeda, que se juntou a uma série de grupos armados sob o nome Organismo de Libertação do Levante.
Assad diz que falta um "longo caminho" para levar a um processo de negociação para a paz
Al-Assad disse que não há um canal oficial de comunicação com o governo dos Estados Unidos e reiterou que a intervenção destes na Síria tem sido sem consulta ou permissão, pelo que a considera como "ilegal".
Sobre o progresso das negociações de paz, al-Assad afirmou que a última reunião em Genebra serviu para discutir os pontos da agenda a serem discutidos em reuniões futuras. No entanto, previu que falta um "longo caminho" para levar a um processo de negociação e disse que pode haver outras reuniões em Genebra ou Astana.
O governante sírio reiterou as suas queixas à desunião da delegação da oposição e disse que alguns dos delegados defendem os interesses dos terroristas e as agendas de países como Arábia Saudita, Turquia, França, Reino Unido e "possivelmente" Estados Unidos.
A ONU anunciou esta semana que prevê convocar para 23 de março uma nova ronda de negociações de paz sobre a Síria em Genebra. A ideia é dar continuidade aos progressos alcançados na última reunião, em que o regime sírio e a oposição acordaram uma agenda para tentar alcançar uma solução negociada do conflito.
A guerra na Síria, que já fez mais de 310 mil mortos e milhões de refugiados, vai entrar a 15 de março no seu sétimo ano.
