
Fotógrafo enviou imagem para concurso nazi que procurava o bebé ariano perfeito
Foto: Getty Images
Hessy Levinsons Taft, a mulher judia cuja foto de bebé foi divulgada em toda a Alemanha nazi por ser um exemplo de bebé ariano, morreu, na semana passada, aos 91 anos, na sua casa em São Francisco, nos Estados Unidos, avança o "The New York Times".
Em 1934, quando Hessy tinha apenas seis meses, os pais, cantores de ópera judeus letões que viviam em Berlim, pediram ao fotógrafo Hans Ballin que lhe tirasse uma fotografia. Ballin enviou a imagem para um concurso nazi que procurava o bebé ariano perfeito e Hessy foi selecionada por Joseph Goebbels, o notório chefe de propaganda nazi, aparecendo na capa da revista "Sonne ins Haus", uma publicação pró-nazi, e espalhando-se rapidamente por toda a Alemanha.
Segundo o "The New York Times", ao ser confrontado pelos pais, Ballin disse que sabia que a bebé era judia, mas assim enviou a foto como uma brincadeira, expondo o absurdo das teorias nazis sobre raça. Horrorizados e temendo a execução caso fosse descoberta a verdadeira identidade da filha, os pais mantiveram Hessy dentro de casa e raramente a levavam a passear.
Embora a família vivesse em Berlim devido à carreira na ópera, a lei nazi que visava os judeus alemãs não os afetaram por serem letões. No entanto, os pais decidiram deixar a Alemanha em 1973 com a intensificação do poder nazi e passaram pela Letónia, Paris, Nice e Cuba antes de se estabelecerem em Nova Iorque em 1949.
Hessy estudou química em Barnard e Columbia e trabalhou durante mais de 30 anos no Educational Testing Service em Princeton, Nova Jérsia, supervisionando os exames de química do programa Advanced Placement para alunos do ensino secundário. Aos 66 anos, tornou-se professora adjunta na Universidade de St. John's, onde lecionava química e investigava a sustentabilidade da água.
Casou-se em 1959 com Earl Taft, que morreu em 2021. Deixa a irmã Noemi Pollack, os dois filhos Nina e Alex e quatro netos.
A história foi divulgada publicamente em 1987 no livro "Muted Voices: Jewish Survivors of Latvia Remember", de Gertrude Schneider. Em entrevista à agência Reuters em 2014, Hessy agradeceu ao fotógrafo por ter tido a coragem de desafiar o governo alemão, apesar de não ser judeu. "Era uma ironia que precisava de ser exposta", sublinhou.

