
Militares belgas abordaram o petroleiro "Ethera" no Mar do Norte, em frente a Zeebruges
Foto: Jorn Urbain / Ministério da Defesa da Bélgica / Handout
As forças especiais belgas, com apoio de helicópteros militares franceses, abordaram e apreenderam um petroleiro da "frota sombra" que a Rússia utiliza para contornar as sanções ocidentais devido, à guerra na Ucrânia, numa operação noturna anunciada neste domingo.
O ministro da Defesa, Theo Francken, revelou que o petroleiro, identificado como "Ethera", foi escoltado até ao porto de Zeebrugge, depois de ter sido intercetado na zona económica exclusiva da Bélgica. O comandante, de nacionalidade russa, foi interrogado pelos investigadores, que tentam agora apurar mais dados sobre o navio.
O petroleiro arvorava o pavilhão da Guiné, mas uma inspeção a bordo confirmou as suspeitas de que navegava sob um pavilhão falso, disse o gabinete da procuradoria federal belga. "Foram encontrados documentos do navio que são suspeitos de serem falsos", afirmaram os procuradores num comunicado. "Se um navio navega sob uma bandeira falsa, isso significa que não está em conformidade com vários regulamentos internacionais".
O presidente francês, Emmanuel Macron, confirmou no X que as forças navais do seu país ajudaram na operação, considerando-a um "grande golpe" para a chamada "frota fantasma" da Rússia.
A Rússia tem utilizado uma flotilha de petroleiros envelhecidos de propriedade opaca para contornar as restrições às lucrativas exportações de crude impostas, na sequência da invasão total da Ucrânia em 2022.
O Ministério da Defesa belga disse que o petroleiro apreendido estava na lista de sanções da União Europeia. A UE colocou centenas de embarcações na lista negra, numa tentativa de minar os fundos de guerra de Moscovo.
"As sanções só têm importância se forem aplicadas. Hoje, aplicámo-las", disse no X o ministro dos Negócios Estrangeiros, Maxime Prevot, que é também vice-primeiro-ministro da Bélgica.
"Resoluta e justificada"
A operação foi levada a cabo juntamente com os parceiros belgas do G7, nórdicos e bálticos e em coordenação com a França, que forneceu apoio aéreo com dois helicópteros NH90, informou o Ministério da Defesa. As imagens da operação publicadas online por Macron mostram as forças belgas a descer de rapel de um helicóptero para embarcar no navio.
"Felicito as nossas forças armadas pela sua conduta profissional e decisiva durante a operação bem sucedida desta noite e agradeço aos nossos parceiros franceses por fornecerem o apoio essencial", escreveu o primeiro-ministro belga Bart De Wever nas redes sociais.
A embaixada da Rússia na Bélgica disse que não tinha sido oficialmente notificada da detenção do petroleiro, nem informada sobre a nacionalidade da sua tripulação. "A embaixada está atualmente a tomar as medidas necessárias para determinar se há cidadãos russos a bordo e para garantir os seus direitos legais, caso se confirme", afirmou num post do Telegram.
As sanções destinadas a limitar as receitas de Moscovo utilizadas para levar a cabo a sua guerra excluíram muitos petroleiros que transportavam petróleo russo dos sistemas de seguros e de navegação ocidentais.
Alguns especialistas e líderes políticos suspeitam também que os navios da "frota sombra" estejam a efetuar sabotagens, como parte de uma "guerra híbrida" da Rússia contra os países ocidentais.
O Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky congratulou-se com a "forte ação da Bélgica contra a bolsa flutuante de Moscovo" e agradeceu à França o apoio dado à operação.
"Esta embarcação em particular está há muito sob sanções dos EUA, da UE e do Reino Unido, mas mesmo assim continuou a transportar ilegalmente petróleo russo usando uma bandeira falsa e documentos falsos", escreveu no X.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andriy Sybiga, acrescentou que "esta ação resoluta e justificada" era necessária para privar a Rússia de recursos para continuar a sua guerra contra a Ucrânia.
"Exortamos todos os parceiros a seguirem este exemplo, a combaterem resolutamente a frota sombra da Rússia através de sanções e de acções concretas, e a promoverem a paz através da força", afirmou.
Em fevereiro, foi revelado que dois funcionários de uma empresa de segurança privada russa se encontravam a bordo de um outro navio-tanque suspeito da "frota sombra" russa, apreendido pela França em setembro.
Os dois homens trabalhavam para a Moran Security Group, uma empresa russa de segurança privada, e tinham a tarefa de monitorizar a tripulação e recolher informações, disse à AFP uma fonte com conhecimento do assunto.
As forças francesas abordaram outro navio-tanque russo suspeito, o Grinch, em janeiro.
