Bovino retirado da liderança de operação anti-imigração no Minnesota após forte contestação

Diferente dos seus subordinados, que usam máscaras, Bovino não escondia o rosto quando estava no terreno durante rusgas contra imigrantes.
Foto: Stephen Maturen/Getty Images/AFP
O comandante-geral da Patrulha de Fronteiras dos Estados Unidos, Gregory Bovino, vai ser retirado da liderança da operação anti-imigração no Minnesota, após duas mortes perpetradas por agentes do serviço de alfândega e imigração (ICE). Bovino tem sido alvo de críticas desde que acusou, sem provas, o enfermeiro Alex Pretti, assassinado a tiro no sábado, de ter planos de cometer um "massacre" contra as autoridades federais.
A notícia da saída do comandante da Patrulha de Fronteiras e de alguns agentes do ICE foi divulgada nas últimas horas em vários média norte-americanos, com a revista "The Atlantic" a dizer que Bovino regressaria ao cargo que exercia na Califórnia. A estação CNN reportou, citando fontes oficiais, que a mudança foi uma "decisão mútua" e que o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) suspendeu os acessos de Bovino às redes sociais.
Apesar dos diversos órgãos de Comunicação Social noticiarem a saída, a secretária adjunta do DHS negou tal medida. "O chefe Gregory Bovino NÃO foi exonerado das suas funções", publicou Tricia McLaughlin, no Facebook, reiterando a mensagem da Casa Branca de que Bovino "é uma peça fundamental da equipa do presidente e um grande americano".
Se confirmada, a saída, prevista para esta terça-feira, ocorre ao mesmo tempo que o presidente norte-americano anunciou que enviará o czar das fronteiras, Tom Homan, para o Minnesota. O Governo de Donald Trump, que também esteve em contacto com as autoridades estaduais e de Minneapolis, tem sido alvo de críticas após as mortes da escritora Renee Good, no dia 7, e do enfermeiro Alex Pretti, no dia 24, baleados por agentes mascarados do ICE.
A liderança de Bovino na operação "Metro Surge" em Minnesota foi altamente contestada, tendo dito, após o assassinato de Pretti, que "o facto de [os agentes do ICE] serem altamente treinados impediu qualquer ataque específico contra as forças de segurança". "Por isso, parabéns às nossas forças de segurança por o ter detido antes de o poder fazer", afirmou Bovino, em declarações à CNN.
"É uma pena que as consequências tenham sido enfrentadas por ele [Pretti] se ter intrometido na cena do crime. Não me canso de repetir isto. Ele tomou a decisão de ir até lá", acrescentou Bovino, questionando os críticos que classificam as autoridades de imigração como fascistas.
Rejeita associação com nazis

Foto: Stephen Maturen/Getty Images/AFP
"Estão a tentar retratar os agentes da Patrulha da Fronteira e do ICE como membros da Gestapo, nazis e muitos outros termos pejorativos". "Será que este indivíduo foi vítima, como muitos outros, deste tipo de retórica inflamada?", indagou o comandante do ICE, sobre o enfermeiro morto pelos seus homens.
Agentes mascarados e o próprio Bovino com um sobretudo verde de estilo militar, usado na I e II Guerra, provocaram reações até do governador da Califórnia e possível candidato presidencial em 2028, Gavin Newsom. A associação com o imaginário fascista é resultado também de vários episódios que provocaram indignação.
Um exemplo foi quando as autoridades de imigração colocaram sob custódia um menino de cinco anos, na última semana, enquanto tentavam deter o pai. "Somos especialistas em lidar com crianças", argumento o líder da operação.
Também na última semana, o comandante foi visto em gravações a atirar agentes químicos irritantes contra um grupo de manifestantes. "Vou usar gás. Afastem-se. O gás está a chegar", disse, antes de atirar o cartucho contra os manifestantes enquanto colunas de fumo verde subiam no ar.
Bovino, que liderou rusgas em outras cidades como Los Angeles e Chicago, é conhecido pela tática de movimentar agentes rapidamente na certa área para realizar detenções antes da chegada de pessoas para protestar. "Está a transformar a retórica agressiva que vemos da secretária [de Segurança Interna Kristi] Noem, do presidente Trump e de outros altos oficiais numa realidade operacional", disse à agência France-Presse César García Hernández, professor de leis de imigração na Ohio State University.
Noem, que tem sido alvo de pedidos de destituição ou renúncia por parte dos democratas, acusou tanto Good quanto Pretti de serem "terroristas domésticos". O DHS corre agora o risco de não ter financiamento, já que o Senado precisa de aprovar até sexta-feira o orçamento para o Departamento e para as suas agências, incluindo o ICE, mas os opositores prometeram que não vão dar luz verde à proposta.
Em relação a Bovino, "ele não deixa dúvidas de que a posição da Administração Trump é a de que não há espaço para dissidências nos Estados Unidos, e esta é uma proposição assustadora", completou o especialista.

