
João Relvas / Lusa
O primeiro-ministro de Cabo Verde, José Maria Neves, reiterou, esta quinta-feira, em Coimbra, que os prejuízos causados pela erupção vulcânica na ilha do Fogo ultrapassam os 50 milhões de euros.
"Neste momento, numa primeira avaliação ainda provisória", calcula-se que "os estragos já provocados pela erupção do vulcão atinjam um valor superior a 50 milhões de euros", disse o chefe do Governo cabo-verdiano, que falava ao princípio da noite de hoje em Coimbra, depois de se ter reunido com o presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), Manuel Machado.
O vulcão "destruiu por completo casas, escolas, jardins, igrejas, a cooperativa de vinho, infraestruturas desportivas, estradas, hotéis e pensões, estruturas económicas e áreas agrícolas", elencou José Maria das Neves, sublinhando que ficaram "totalmente destruídas duas comunidades" e desalojadas "cerca de 1300 pessoas".
Mas "há outros prejuízos", frisou o primeiro-ministro de Cabo Verde, referindo que as pessoas que viviam na região diretamente atingida pela erupção vulcânica "perderam o seu espesso, o seu habitat".
"Há uma relação muito forte entre as pessoas e o vulcão", no qual "tinham, e têm, um grande amigo" e com o qual "tinham uma relação de muita intimidade", pois "ele fazia parte da sua vida".
Os habitantes daquela zona da ilha do Fogo "consideram-se um pouco traídos, neste momento, pelo vulcão", admitiu José Maria das Neves, acreditando, no entanto, que eles "vão refazer-se dessa aparente traição", tanto mais que "não querem abandonar a ilha".
Há "uma relação muito complexa entre as pessoas e o vulcão" e elas "dificilmente vão abandonar aquele espaço", que "é uma área muito fértil" e também "uma área mítica".
É preciso "entender as pessoas", sustentou o primeiro-ministro cabo-verdiano, adiantando que o Governo terá de dialogar com as pessoas deslocadas para, depois "ver a melhor forma de as realojar".
A erupção vulcânica tem vindo a acalmar, "não está neste momento a expelir muita lava e, portanto, pode pensar-se que não haverá necessidade de evacuar mais comunidades", disse ainda José Maria Neves, recordando que "já foram engolidas pelo vulcão" duas povoações e que se mantém "em alerta três comunidades", onde vivem cerca de duas mil pessoas.
O vulcão da ilha do Fogo entrou em erupção no dia 23 de novembro e até agora não provocou vítimas, tendo destruído Portela e Bangaeira, as duas povoações de Chã das Caldeiras, planalto que serve de base aos vários cones vulcânicos da ilha.
O Chefe do Governo de Cabo Verde chegou terça-feira a Portugal, para participar da III cimeira luso-cabo-verdiana, que decorreu na quarta-feira em Lisboa, tendo estado hoje em Aveiro e Coimbra, deslocando-se na sexta-feira a Viseu.
