
O FCAS visa garantir a soberania aérea europeia
Foto: Geoffroy Van der Hasselt / AFP
Avião deverá tornar as futuras operações militares mais eficazes, graças às caraterísticas furtivas.
Um projeto de mil milhões de euros para desenvolver um avião de combate europeu pode estar em risco devido às divergências entre França e Alemanha. Os dois países não chegam a acordo sobre o fabrico dos caças que prometem ultrapassar os atuais F-35 americanos.
O projeto conjunto de defesa entre a Alemanha, a França e a Espanha visa redefinir o "combate aéreo do futuro" e manter a independência em relação a parceiros não europeus. O Sistema Aéreo de Combate do Futuro (FCAS, na sigla em inglês) foi lançado em 2017, com o objetivo de substituir os caças Rafale, de França, e os Eurofighter usados pela Alemanha e Espanha, e está previsto entrar em serviço em 2040. Com um avião de demonstração que deveria estar pronto já em 2027, mas atrasou, o projeto acabou por estagnar no ano passado devido às divergências entre os países.
As disputas dizem respeito às empresas de Defesa envolvidas: a Dassault (França) e a Airbus (Alemanha/França/Espanha), que não chegam a acordo sobre fornecedores, conceção e divisão de tarefas. Segundo a "Euronews", a Dassault insiste no papel de líder do caça, enquanto a Alemanha considera a possibilidade de recorrer a parceiros alternativos ou a uma abordagem nacional.
Discórdia
A Alemanha não precisa dos mesmos caças que a França, afirmou ontem o chanceler Friedrich Merz, citado pela AFP. "Os franceses precisam (...) de uma aeronave capaz de transportar armas nucleares e operar a partir de um porta-aviões", afirmou, em declarações ao podcast alemão Machtwechsel. "Não é isso que precisamos atualmente nas forças armadas alemãs", vincou.
Já o gabinete do presidente francês Emmanuel Macron respondeu que "continua empenhado no sucesso" do projeto. "As necessidades militares dos três estados participantes não mudaram, e essas necessidades incluíam, desde o início, a dissuasão [nuclear] francesa, bem como as outras missões do futuro avião", afirmou.

