Cadeira de dentista, máscaras e quadro negro: as imagens da "ilha dos pedófilos" de Epstein

Imagens mostram divisão com cadeira de dentista e máscaras penduradas nas paredes
Foto: Direitos Reservados
Os democratas da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos divulgaram, na quarta-feira, novos vídeos e fotografias da ilha particular de Jeffrey Epstein, nas Caraíbas, lugar onde o empresário norte-americano acusado de tráfico de crianças terá cometido inúmeros crimes sexuais.
As novas imagens e vídeos oferecem um vislumbre da casa do magnata Jeffrey Epstein, mostrando quartos, um telefone, o que parece ser um escritório ou biblioteca e um quadro negro com as palavras "intelectual", "engano" e "poder". As fotos mostram ainda uma sala com uma cadeira de dentista e máscaras de homens penduradas.
Os materiais divulgados na quarta-feira foram fornecidos pelas autoridades das Ilhas Virgens Americanas, tendo sido obtidos em 2020, um ano após a morte de Epstein na prisão, onde o suspeito de tráfico e abuso de menores aguardava pelo julgamento.




O milionário era proprietário de duas das várias ilhas do arquipélago norte-americano, incluindo Little St James, que alguns moradores apelidaram de "ilha dos pedófilos", segundo o jornal norte-americano "The New York Times". Em 2022, o procurador-geral das Ilhas Virgens Americanas chegou a um acordo de mais de 100 milhões de dólares (cerca de 85 milhões de euros) com o espólio de Epstein, após alegar que "dezenas de mulheres jovens e crianças foram traficadas, violadas, agredidas sexualmente e mantidas em cativeiro na ilha privada e isolada de Epstein, Little St James".
Prazo de divulgação de documentos aproxima-se
Embora as imagens e vídeos divulgados não revelem nada de novo, parecem constituir um esforço por parte do Congresso para manter a pressão sobre o Governo de Trump antes do prazo final para o Departamento de Justiça divulgar os documentos do caso Epstein. Um grupo bipartidário de membros do Congresso também solicitou à procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, que fornecesse uma atualização sobre o progresso do caso.
"Estas novas imagens são um olhar perturbador sobre o Mundo de Jeffrey Epstein e a sua ilha. Estamos a divulgar estas fotos e vídeos para garantir a transparência pública na nossa investigação e para ajudar a compor o quadro completo dos crimes horríveis de Epstein. Não vamos parar de lutar até que seja feita justiça", afirmou Robert Garcia, membro do comité de supervisão da Câmara dos Representantes, num comunicado citado pelo jornal britânico "The Guardian". "Está na hora de o presidente Trump divulgar todos os arquivos, agora".
O projeto de lei assinado por Trump no mês passado concede ao departamento um prazo de 30 dias, até 19 de dezembro, para disponibilizar os documentos num "formato de pesquisa descarregável". No entanto, existem obstáculos para que os arquivos sejam partilhados com o público norte-americano até essa data.
Por um lado, o projeto de lei estabelece que o departamento de justiça pode reter quaisquer documentos que comprometam "uma investigação federal ativa ou um processo judicial em curso, desde que tal retenção seja estritamente adaptada e temporária", o que pode levar a atrasos, uma vez que Trump solicitou investigações sobre as ligações de Epstein com democratas proeminentes.
O projeto de lei mais recente também refere que a procuradora-geral dos EUA pode "reter ou editar" registos que incluam nomes de vítimas, arquivos médicos e outras informações pessoais que "constituam uma invasão claramente injustificada da privacidade pessoal".
