
A morte de Orelha motivou uma onda de comoção e indignação gerais
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Orelha, um cão vadio que se tornou símbolo e mascote de Praia Brava, em Florianópolis, uma das regiões ricas do Brasil, foi morto na sequência de agressões, por parte de quatro adolescentes.
O caso aconteceu no dia 4 de janeiro, mas só duas semanas depois é que foi tornado público. Segundo o portal brasileiro G1, a Polícia Civil identificou pelo menos quatro adolescentes suspeitos de estarem envolvidos na morte do animal, depois de terem sido registados por câmaras de vigilância e visados em relatos de moradores.
Orelha, com cerca de 10 anos, era alimentado pela população local, que ficou em alerta depois de o cão ter desaparecido. Ao que tudo indica, o animal foi encontrado, durante uma caminhada, por uma das pessoas que cuidava dele, caído e agonizado. Foi depois levado para uma clínica veterinária, onde, face à gravidade dos ferimentos, foi necessário proceder à eutanásia.
Ações de protesto
O caso que, recentemente, se tornou mediático nas redes sociais, gerou uma onda de revolta e contestação que já saiu à rua em Praia Brava, em Florianópolis.
"Orelha fazia parte do quotidiano do bairro há muitos anos e era cuidado espontaneamente pela comunidade, tornando-se num símbolo simples, porém muito querido, da convivência e da relação de cuidado que muitos mantêm com o espaço e com os animais que vivem aqui", referiu em comunicado a Associação de Moradores da Praia Brava.

A morte de Orelha motivou uma onda de comoção e indignação gerais entre moradores, associações e personalidades conhecidas do país, que se têm manifestado nas redes sociais, com a hashtag "JustiçaPorOrelha". Os protestos foram além da Internet e chegaram às ruas, em Praia Brava, onde já houve duas ações públicas que reuniram dezenas de pessoas.
De acordo com as autoridades, o mesmo grupo de adolescentes também teria tentado, sem sucesso, afogar outro cão vadio da Praia Brava, chamado Caramelo, que convivia regularmente com Orelha.
A investigação continua a decorrer e, para já, sem previsão do fim.
IRA junta-se à causa
Em Portugal, o IRA - Intervenção e Resgate Animal, a associação não governamental dedicada à proteção e defesa dos animais, juntou-se à causa.
"Quando ensinamos uma criança a respeitar um animal, não estamos apenas a falar de cães ou gatos. Estamos a ensinar empatia, responsabilidade, limites e humanidade. Estamos a prevenir que cresçam a achar normal magoar quem é mais fraco, quem não se pode defender, quem depende de nós", escreveu o coletivo, nas redes sociais.
