
Evento contará com a presença de veteranos afetados pela antiga interdição dos serviços militares aos homossexuais
Foto: Temilade Adelaja/AFP
O monarca inglês Carlos III cumpre esta segunda-feira o seu primeiro compromisso oficial em apoio à comunidade LGBTQ+, ao inaugurar o memorial nacional britânico dedicado aos membros LGBT das forças armadas.
A cerimónia realiza-se no "National Memorial Arboretum", em Staffordshire, e contará com a presença de veteranos afetados pela antiga interdição dos serviços militares aos homossexuais.
O monumento, apelidado "Uma carta aberta", tem a forma de uma folha de papel amassada, com partes de cartas pessoais que outrora serviram como provas para incriminar militares. A escultura, em bronze, foi criada pelo coletivo artístico "Abraxas Academy" e homenageia aqueles que foram perseguidos, expulsos ou forçados a abandonar as suas carreiras por causa da orientação sexual ou identidade de género, real ou presumida.
Sob a proibição, milhares de militares foram investigados e dispensados, perdendo não só as suas funções, mas também pensões e reputações, sofrendo discriminação social e isolamento familiar.
Como chefe supremo das forças armadas, Carlos III dedicará o memorial a todos os membros LGBT que serviram e continuam a servir nas forças militares e está igualmente previsto que ouça testemunhos de veteranos e um discurso de Ed Hall, presidente da organização "Fighting With Pride", que liderou o projeto e tem sido uma das vozes mais ativas na defesa da justiça para os afetados.
Após a cerimónia, o monarca reunir-se-á com veteranos LGBT e com militares atualmente em serviço, reforçando o seu compromisso com a inclusão e o reconhecimento das injustiças do passado.
"Um momento cheio de significado e de orgulho"
Entre os convidados está Claire Ashton, ex-membro da Artilharia Real, que foi forçada a deixar o Exército em 1972, aos 21 anos. Em declarações ao jornal "The Independent", Ashton afirmou que a sua "carreira de sonho" foi destruída pela discriminação.
"Este é um momento que nunca pensei que aconteceria, um momento cheio de significado e, finalmente, de orgulho. Tenho agora mais de 70 anos e ainda carrego as cicatrizes psicológicas de ter sido expulsa, com a anotação "dispensada por motivos médicos" nos meus registos", contou. "Fui punida por ser eu mesma."
Em 2023, o primeiro-ministro Rishi Sunak apresentou um pedido formal de desculpas em nome do Estado britânico pelo tratamento "horrível" dado às pessoas LGBT nas forças armadas, após relatos de homofobia, bullying, chantagem, agressões sexuais, exames médicos humilhantes e terapias de conversão.
O Memorial dos Veteranos LGBT+ é uma das 49 recomendações do "Etherton Review", relatório independente encomendado pelo Governo britânico que investigou o impacto da antiga proibição e propôs medidas de reparação.
