
Foram ouvidas explosões na ponte da Crimeia
Crimea24TV / AFP
Drones marítimos ucranianos foram utilizados para o ataque desta madrugada contra a ponte da Crimeia, que teve de ser encerrada depois de ser atingida por várias explosões, avançou a agência de notícias ucraniana Ukrinform.
A agência de notícias estatal cita fontes não identificadas dos serviços secretos ucranianos (SBU) e da Marinha do país, duas componentes das forças de segurança ucranianas.
"Foi difícil chegar à ponte, mas acabámos por conseguir", disse um representante dos SBU citado pela Ukrinform, que salientou que a ponte é um alvo legítimo para a Ucrânia, uma vez que foi construída em território ucraniano ocupado.
De acordo com as mesmas fontes, o ataque terá sido realizado no domingo à noite por drones marítimos que se deslocaram à superfície da água e danificaram a estrutura.
Casal morre na ponte
As autoridades russas reconheceram a existência de uma "emergência" na ponte e comunicaram a morte de dois civis, um casal residente da região russa de Belgorod. A filha, que sofreu ferimentos ligeiros, vai ser transportada de imediato para Belgorod quando os médicos o permitirem, disse o governador de Belgorod, Viacheslav Gladkov.
"Nos últimos dias, temos enviado os nossos filhos para os acampamentos da Crimeia", disse Gladkov, garantindo aos pais que "nada ameaça a vida" das crianças.
O governador da península da Crimeia, Sergey Axyonov, anexada pela Rússia em 2014, relatou "uma emergência" na ponte, depois de terem sido ouvidas pelo menos duas explosões e detetados posteriormente danos na estrada. "A circulação foi suspensa na ponte da Crimeia: ocorreu uma emergência na área do [pilar de] apoio 145 do Território de Krasnodar", indicou o responsável, na plataforma de mensagens Telegram.
O Ministério dos Transportes russo reconheceu que há "danos na estrada em secções da ponte da Crimeia", que liga a península ocupada à Rússia, mas os pilares estão intactos, indicou a agência de notícias russa TASS.
Os habitantes locais ouviram duas explosões, por volta das 1.04 horas e 1.20 horas em Lisboa, de acordo com comentários na rede social russa VKontakte, citados pela agência de notícias EFE.
"Ataque terrorista"
A diplomacia russa acusou a Ucrânia do ataque à ponte que liga a Rússia à península anexada da Crimeia em que morreram duas pessoas. "O ataque de hoje à ponte da Crimeia foi perpetrado pelo regime de Kiev", acusou na rede social Telegram a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, Maria Zakharova.
A agência France-Presse (AFP) indicou, citando fontes de Kiev, que serviços especiais ucranianos e a Marinha de Guerra "estão envolvidos" no ataque da ponte da Crimeia levado a cabo por "drones navais". "O ataque de hoje contra a ponte da Crimeia é uma operação especial do SBU e da Marinha", indicou a mesma fonte dos Serviços Ucranianos de Segurança (SBU), que não quis ser identificada.
Por outro lado, a Rússia descarta aplicar medidas de segurança adicionais além do estado de emergência decretado após o ataque, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.
"Até ao momento não se falou de outra medida", afirmou Peskov numa conferência de imprensa em que evitou especificar que tipo de resposta poderia a Rússia dar em relação ao ataque. "Se virmos a questão em perspetiva, a resposta será conseguir todos os objetivos da operação militar especial (designação oficial russa da última invasão da Ucrânia que começou em 2022)", disse Peskov.
"Conhecemos a razão e sabemos quem está atrás deste ataque terrorista (...) o regime de Kiev matou uma família jovem: os pais de uma menina que ficou ferida na ponte da Crimeia e isto deve dizer-se para que todos saibam que tudo isto é obra do regime de Kiev", acusou Dmitri Peskov, citado pela agência Interfax.
Afirmou ainda que o ataque foi executado alegadamente com armas enviadas pelos países aliados de Kiev, mas referiu que a Rússia não está a considerar romper definitivamente as relações diplomáticas com os Estados Unidos ou com o Reino Unido. "Temos consciência da quantidade de informação que vem da NATO e de Washington para Kiev, de forma permanente (...) Nos momentos mais críticos são precisos canais de diálogo", explicou.
A ponte, a mais longa da Europa, com 19 quilómetros, foi construída depois de a Rússia ter anexado a Crimeia, em 2014, e liga esta península do Mar Negro à Rússia. Também com circulação ferroviária, a ligação é uma importante artéria de abastecimento para a guerra da Rússia na Ucrânia.
Em outubro do ano passado, um camião armadilhado explodiu na ponte, considerada a mais longa da Europa, com 19 quilómetros, e a joia da coroa do presidente russo, Vladimir Putin. Cinco pessoas morreram neste atentado, descrito por Moscovo como um ataque terrorista.
