Refutando como "mentiras" todas as acusações, do terrorismo à violação, Charles Taylor, ex-presidente da Libéria, começou a ser julgado em Haia. É a primeira vez que um líder africano se apresenta no Tribunal Penal Internacional.
Aos 61 anos, Charles Taylor tenta negar as tremendas credenciais que lhe são apostas: violação da lei humanitária, ao recrutar crianças-soldados; crimes contra a Humanidade, que passam por ter aterrorizado civis, assassinado, violado, imposto escravatura sexual, submetendo pessoas à servidão; crimes de guerra, das pilhagens ao tratamento cruel infligido a prisioneiros, de que o desmembramento é só um exemplo.
"É muito, muito triste que a acusação, devido a desinformação, contra-informação, mentiras ou rumores me associe a tais acusações", disse Taylor, numa sala apinhada, apresentando-se como uma figura exemplar. "Sou pai de 14 filhos, com netos, amante da humanidade, e toda a minha vida lutei para fazer o que considerava certo em nome da Justiça".
Dificilmente o antigo dirigente africano conseguirá convencer o tribunal de que não armou e dirigiu grupos rebeldes liberianos, encarregados de tomar o controlo das zonas ricas em diamantes da vizinha Serra Leoa. Para já, Taylor, que nega qualquer envolvimento nas atrocidades cometidas pela Frente Revolucionária Unida (RUF) durante a guerra civil que assolou a Serra Leoa entre 1991 e 2002, diz que nada mais quis, além de promover a paz nesse país.
Envergando um fato cinzento e escondendo o olhar sob óculos escuros, Charles Taylor, cujo testemunho deverá prolongar-se por várias semanas, negou ainda ter recebido da RUF frascos de café cheios de diamantes de sangue: "Nunca, mas nunca recebi quaisquer jarros, sejam de maionese ou de café. Nunca recebi diamantes da RUF. É uma mentira. Uma mentira diabólica. Nunca".
Taylor é a primeira de 249 testemunhas arroladas pela defesa. Até agora, o julgamento, que dura há dois anos, foi pautado pela audição de 91 testemunhas de acusação. Inicialmente a funcionar em Freetown, na Serra Leoa, o tribunal, criado sob a égide das Nações Unidas, transferiu-se para a Holanda, devido ao receio de o julgamento provocar instabilidade na região.
