Chefe da Polícia Nacional de Espanha demite-se após acusação de violação de inspetora

Chefe da Polícia Nacional de Espanha, José Ángel González, demitiu-se
Foto: Europa Press
O chefe da Polícia Nacional de Espanha, José Ángel González, demitiu-se na terça-feira na sequência de uma acusação de violação por parte de uma subordinada, confirmou hoje o Governo, que reconheceu "a gravidade dos factos".
"Li muitas queixas na minha vida. Depois de ler esta não havia evidentemente outra decisão [a não ser a demissão de José Ángel González], pela gravidade dos factos e para salvaguardar o prestígio da Polícia", disse o ministro da Administração Interna (MAI), Fernando Grande-Marlaska, invocando a sua carreira de juiz antes de integrar o Governo. "Agora é o momento da justiça e também de todo o apoio, evidentemente, à vítima", acrescentou o ministro.
José Ángel González era diretor-adjunto Operacional (DAO) da Polícia Nacional de Espanha, cargo que corresponde formalmente a "número dois" da força de segurança e a "número um" em termos operacionais, por ser o posto mais alto que ocupa um elemento da própria polícia e ter a missão do comando máximo do corpo. O "número um" formal é o diretor-geral da Polícia Nacional de Espanha, cargo ocupado por um político.
O agora ex-chefe da Polícia espanhola foi notificado por um juiz na terça-feira para prestar declarações em 17 de março, na sequência de uma queixa por violação a que o tribunal decidiu dar seguimento após algumas diligências prévias.
O advogado da mulher que apresentou a queixa disse aos meios de comunicação social espanhóis que a denúncia é por violação, coação, lesões psíquicas e peculato (uso indevido de recursos públicos).
"Violência física" e "intimidação ambiental"
Segundo o advogado Jorge Piedrafita, a queixosa, uma inspetora da Polícia Nacional, foi vítima de agressão sexual numa residência oficial do diretor-adjunto do corpo de segurança e tem uma gravação áudio do sucedido, que certifica as "recusas inequívocas, claras e persistências" por parte da mulher perante as propostas e aproximação física do alegado agressor.
A queixa, citada pelo advogado, sublinha a "violência física" e a "intimidação ambiental" de que foi alvo a alegada vítimas e denuncia "a situação de isolamento, superioridade física e autoridade ambiental" a que foi sujeita por parte de José Ángel González, com quem tinha mantido, no passado, uma "relação de afetividade" cujo fim o ex-chefe da Polícia aparentemente não aceitava.
A mulher acusa José Ángel González de a ter pressionado a deslocar-se a esta residência quando estava de serviço e usando o poder hierárquico que tinha.
A alegada agressão ocorreu em abril de 2025 e, sempre segundo o advogado Jorge Piedrafita, seguiram-se meses de pressões e assédio para não denunciar o ocorrido, tanto por parte de José Ángel González como do seu assessor mais direto, Óscar San Juan González, que também foi demitido do cargo na terça-feira.
Ministro nega encobrimento
O ministro da Administração Interna (MAI), Fernando Grande-Marlaska, ouviu esta quarta-feira no parlamento espanhol vários pedidos de demissão por parte do Partido Popular (PP, direita) e do Vox (extrema-direita), que o consideraram responsável pelo encobrimento deste caso durante meses.
Grande-Marlaska negou a acusação, sublinhando que o próprio advogado da alegada vítima explicou que o caso foi mantido em segredo até terça-feira, e desafiou os deputados a fazerem as mesmas declarações fora do plenário parlamentar, prometendo que agiria judicialmente para de defender da "gravidade das calúnias".
