
Trump quer que Pequim integre eventual acordo sobre limitação de arsenais nucleares
Foto: Andrew Caballero-Reynolds / AFP
A China excluiu esta quinta-feira a possibilidade de participar "nesta fase" em discussões sobre desarmamento nuclear, como os Estados Unidos voltaram a defender, com o fim do último tratado de desarmamento nuclear que ligava Washington e Moscovo.
"As capacidades nucleares da China estão numa escala completamente diferente das dos Estados Unidos e da Rússia, e [a China] não participará em negociações sobre desarmamento nuclear nesta fase", afirmou Lin Jian, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, em conferência de Imprensa.
O New Start, último tratado de desarmamento nuclear em vigor entre os Estados Unidos e a Rússia, expirou esta quinta-feira, aumentando os receios de proliferação nuclear. A Rússia anunciou, na quarta-feira, que deixava de estar vinculada ao tratado. Os Estados Unidos reagiram com cautela, mas o chefe da diplomacia norte-americana, Marco Rubio, reafirmou que, para o presidente Donald Trump, um verdadeiro controlo exige a participação da China, "devido ao seu arsenal considerável e em rápido crescimento".
"A China lamenta que o tratado New Start entre os Estados Unidos e a Rússia tenha expirado. Este tratado é de importância vital para a preservação da estabilidade estratégica mundial", declarou Lin Jian. Contudo, "a China sempre manteve as suas capacidades nucleares ao nível mínimo necessário para garantir a sua segurança nacional e não está envolvida em qualquer corrida ao armamento com nenhum país", assegurou o porta-voz.
Segundo o Instituto Internacional de Investigação para a Paz de Estocolmo (SIPRI), no início de 2025, a China possuía pelo menos 600 ogivas nucleares - ainda significativamente atrás da Rússia e dos Estados Unidos -, mas "o arsenal nuclear chinês cresce mais rapidamente do que o de qualquer outro país, com cerca de 100 novas ogivas por ano desde 2023", apontou o relatório de junho de 2025.
"A China sempre seguiu uma estratégia nuclear de autodefesa, uma política de não uso em primeiro lugar de armas nucleares e um compromisso incondicional de não usar nem ameaçar usar armas nucleares contra Estados não nucleares ou zonas livres de armas nucleares", reiterou Lin Jian.
O porta-voz expressou ainda o apoio da China à proposta feita em setembro de 2025 pelo presidente russo, Vladimir Putin, de prolongar por um ano os limites previstos no tratado New Start. "A China instou os Estados Unidos a responder positivamente" e a "retomar rapidamente o diálogo com a Rússia sobre estabilidade estratégica", afirmou. "É também isso que espera, de forma geral, a comunidade internacional".
O presidente chinês, Xi Jinping, manteve conversações separadas, na quarta-feira, com os seus homólogos russo e norte-americano.
