
Imagem de satélite ao complexo residencial de Putin na região de Novgorod
Foto: 2025 Planet Labs PBC / AFP
A CIA não encontrou provas de que a Ucrânia tenha atacado uma residência do presidente russo, Vladimir Putin, segundo responsáveis norte-americanos citados, na quarta-feira, pelo diário "Wall Street Journal", contrariando as alegações de Moscovo.
As fontes dos serviços de informação de Washington consultadas pelo jornal norte-americano afirmam que a Ucrânia estava a visar um objetivo militar que já tinha atacado anteriormente na região de Novgorod, onde se encontra a residência de campo de Putin, mas não nas proximidades do alvo de Kiev.
A notícia foi divulgada no mesmo dia em que o presidente norte-americano, Donald Trump, partilhou nas redes sociais um editorial do "New York Post" que acusa Moscovo de fabricar o ataque para sabotar o processo de paz com Kiev.
O artigo é bastante crítico do líder do Kremlin, que acusa também de basear toda a campanha contra a Ucrânia numa mentira, de "desprezar os Estados Unidos" e de trabalhar contra a agenda de Trump ao aliar-se a países como o Irão, a Coreia do Norte e a Venezuela.
Na passada segunda-feira, Trump afirmou que fora o próprio homólogo russo que lhe tinha contado por telefone o alegado ataque à sua residência.
Numa primeira reação, o dirigente norte-americano expressou insatisfação com a alegada ação ucraniana, embora tenha admitido que a operação poderia não ter decorrido conforme fora descrito por Putin.
Anteriormente, o chefe da diplomacia de Moscovo, Sergei Lavrov, afirmou que as forças russas frustraram um ataque contra a residência de Putin em Novgorod, uma alegação negada por Kiev.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, destacou na terça-feira que os aliados de Kiev têm a oportunidade de verificar a falsidade da acusação de Moscovo. "A nossa equipa de negociação contactou a equipa norte-americana, examinaram os detalhes e descobrimos que é falsa. E, claro, os nossos parceiros também podem verificar, utilizando os seus recursos técnicos, que era falsa", argumentou.
A alta representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, considerou que a acusação russa contra Kiev se trata de "uma distração deliberada".
O Governo ucraniano já tinha declarado que Moscovo não tem provas para suportar a sua acusação, que levou a diplomacia russa a ameaçar com um endurecimento da sua posição nas negociações de paz promovidas pela Casa Branca
Esta súbita tensão ocorre logo após declarações dos Estados Unidos e da Ucrânia a indicar progressos na busca de um entendimento.
Na sua mensagem de Ano Novo, Zelensky disse que a proposta de um acordo de paz com a Rússia está 90% pronta, embora observe que a parte determinante está nos restantes 10%.
"O acordo de paz está 90% pronto. Faltam 10%. (...) Estes 10% contêm tudo, na verdade. São estes 10% que vão determinar o destino da paz, o destino da Ucrânia e da Europa", declarou numa mensagem de vídeo na plataforma Telegram, na qual sublinha "10% para a paz".
O presidente ucraniano afirmou que o seu país quer o fim do conflito, mas não "a qualquer preço", e que um acordo deverá incluir fortes garantias de segurança para impedir a Rússia de lançar outra invasão.
Outra parte sensível que afasta as partes prende-se com as questões territoriais, com Moscovo a reivindicar a legitimação da anexação das regiões ocupadas na Ucrânia, que por sua vez tem recusado a sua cedência.
