Cientista que tentou vender segredo de mil milhões a empresa vai ser deportado dos EUA

Hongjin Tan. que vivia nos EUA desde 2012, tem doutoramento e trabalhava numa empresa petrolífera de Oklahoma
Foto: Hongjin Tan via LinkedIn
O FBI apanhou um cientista que pretendia vender a uma empresa chinesa uma inovação tecnológica na área energética que vale mil milhões e que demorou décadas a ser projetada. Vai cumprir dois anos de prisão e, depois, vai ser deportado.
Num longo comunicado, a unidade de investigação norte-americana conta o caso do cientista Hongjin Tan.
O investigador, que vivia nos EUA desde 2012, tinha tirado um doutoramento e trabalhava numa empresa petrolífera de Oklahoma.
Contou à chefia que pretendia abandonar o posto de trabalho que ocupava há cerca de ano e meio porque ia voltar para a China para ajudar os pais, no final de 2018.
A empresa deixou-o permanecer ao serviço até à data da viagem, já que o homem lhes contara que não se tinha candidatado até qualquer outro emprego.
Só que, em conversa com um colega de trabalho, mudou a sua versão da história e admitiu que já tinha trabalho garantido numa empresa chinesa na mesma área de atividade, a Xiamen Tungsten.
A conversa foi de imediato reportada pelo colega aos superiores e a empresa pediu ao FBI que investigasse o caso, por suspeitas de que Hongjin Tan pudesse estar a cometer espionagem industrial.
Um dos produtos mais inovadores da petrolífera, que tinha demorado décadas a ser criado e posto em funcionamento, tinha a ver com uma tecnologia ligada às baterias, que permitia um trabalho "ainda mais valioso, na fusão de metais", explica o FBI, dizendo que o valor estimado da criação é de mil milhões de dólares (cerca de 960 milhões de euros).
"A Xiamen Tungsten é uma empresa chinesa que funde, processa e distribui produtos de metal e também fornece materiais para baterias", acrescenta da unidade de polícia.
O homem, que se tinha doutorado numa universidade norte-americana e trabalhado numa série de empresas da Califórnia, foi de imediato despedido e o FBI começou uma investigação que permitiu apurar que este tinha acedido a documentos de informação sensível, que pretendia levar para o outro lado do mundo, numa "pen-drive".
"Quando recuperamos a pen, a empresa examinou o espaço livre no disco e descobriu que vários arquivos tinham sido apagados", revelou o agente especial do FBI Jeremy Sykes, que trabalhou no caso.
Depois de conseguirem um mandato, Hongjin Tan foi detido e condenado a cumprir dois anos de prisão e perdeu o visto de residência. Vai ser deportado.
FBI diz que China paga a quem partilhar conhecimentos tecnológicos
O FBI expõe o caso para denunciar uma série de situações semelhantes, que acontecem devido ao programa Mil Talentos da China, ao abrigo do qual o país oferece "incentivos financeiros e outros privilégios aos participantes que desejam enviar os conhecimentos de pesquisa e de tecnologia a que têm acesso" enquanto trabalham no estrangeiro, nomeadamente nos EUA.
Numa conferência de Imprensa em Boston, o diretor do FBI Christopher Wray diz que esta é uma ameaça concreta e preocupante.
"Vemos empresas chinesas a roubar propriedade intelectual americana para evitar o trabalho árduo de inovação e, em seguida, a usa-a para competir contra as empresas americanas que eles vitimaram - na verdade, enganando duas vezes", acusou.
A agência tem por isso tentado convencer que as empresas que a sua presença não é prejudicial e pode evitar a fuga de informação valiosa, nomeadamente na área da ciência, apesar de muitas empresas temerem que a má publicidade com a divulgação dos casos possa ter impacto no valor das ações.
O FBI "pode fornecer instruções aos executivos e funcionários sobre ameaças internas, explicar as precauções que os trabalhadores devem tomar quando viajam para determinados países, ajudar a avaliar como compartimentar o sistema e o acesso a arquivos e lembrar as empresas a estabelecer acordos de confidencialidade para garantir que os funcionários concordam em não partilhar certas informações", lê-se no comunicado.
