
O papel do Papa é preservar e ensinar a fé cristã, interpretar o Evangelho e garantir a unidade da Igreja
Foto: Jeff Pachoud / AFP
Os cardeais reúnem-se, a partir desta quarta-feira, no conclave para a eleição do sucessor do Papa Francisco. Estas são as principais prerrogativas do chefe da Igreja Católica.
Liderar a Igreja
A palavra "Papa" vem do grego "pappas", que significa "pai, patriarca", e é por isso que os fiéis o chamam de "Santo Padre".
Considerado o sucessor de São Pedro, a quem Cristo confiou a liderança da Igreja, o Papa é o guia espiritual de mais de 1,4 mil milhões de católicos no Mundo todo.
O seu papel é preservar e ensinar a fé cristã, interpretar o Evangelho e garantir a unidade da Igreja.
Chefe de Estado
O Papa tem o estatuto de chefe de Estado e governa a Cidade do Vaticano, um Estado independente localizado em Roma e que também é o país mais pequeno do Mundo, com 44 hectares. Como chefe de Estado, exerce poderes absolutos (Executivo, Legislativo, Judiciário).
Também recebe chefes de Estado e de governo no Vaticano. Nessas reuniões a portas fechadas, conhecidas como "audiências privadas", são discutidas questões atuais ou são informadas as posições da Santa Sé, uma entidade soberana perante o direito internacional.
Doutrina e ensino
O Papa elabora documentos sobre questões doutrinárias e morais para orientar os fiéis, direcioná-los ou informar sobre reformas.
Nos seus doze anos como pontífice, o Papa Francisco abriu caminho para a bênção de casais do mesmo sexo, restringiu o uso de missas em latim e tomou medidas contra agressões sexuais.
O Papa também tem uma missão de ensino, através dos seus discursos. Além das homilias nas missas, nas manhãs de quarta-feira, faz uma catequese pública aos fiéis no Vaticano durante a audiência geral semanal.
Nomeações
O Papa aprova a nomeação de bispos, que ficam à frente de dioceses de todo o Mundo. Atualmente, são cerca de três mil.
Além disso, também nomeia cardeais. Destes, os menores de 80 anos são chamados a eleger o seu sucessor.
O Papa também tem a palavra final na elevação de figuras de destaque da Igreja Católica à categoria de "beatos" ou "santos", após um "processo" baseado em milagres e virtudes.
Por fim, tem o poder de convocar sínodos (reunião mundial entre laicos e religiosos) para discutir questões específicas.
Viagens
O Papa viaja para se aproximar aos fiéis de todo o Mundo. Respondendo a convites de chefes de Estado, faz visitas oficiais, chamadas "apostólicas".
O Papa que mais viajou foi João Paulo II, com 104 visitas ao estrangeiro nos seus 26 anos de pontificado, seguido por Francisco, com 47 viagens.
Esses deslocamentos dão a oportunidade de renovar os apelos pela paz, pelo diálogo antirreligioso, pelo respeito aos direitos humanos e pela justiça social; declarações que servem como uma posição moral e são amplamente disseminadas pelo Mundo.
Bispo de Roma
Como bispo de Roma, o Papa deve administrar a sua diocese. Entretanto, devido a outras obrigações, essa tarefa cabe geralmente a um vigário geral.
No entanto, o Papa participa na vida da Igreja local, visitando paróquias na capital italiana para celebrações ou outros locais simbólicos na cidade a cada ano, como a Via Sacra no Coliseu na Sexta-feira Santa ou a Solenidade da Imaculada Conceição perto da Praça da Espanha em 8 de dezembro.
